Vamos conhecer a história da Keula, uma jovem que vê o mundo com um "olhar diferente", mas tão colorido quanto as demais pessoas.
Foto cedida

“Meu nome é Keula Semedo, tenho 30 anos, sou cabo-verdiana, mas vivo em Portugal desde 2009. Sou Atleta, Massagista e Técnica de Fisioterapia.

Sou cega de nascença, mas isso nunca me impediu de ser uma mulher sonhadora, batalhadora e que não desiste daquilo que quer.

Do ensino básico até décimo segundo ano, estudei nas escolas convencionais junto com outr@s alun@s sem deficiência, na sala era eu e a minha amiga que também é cega, mas mesmo assim éramos bem tratadas pelas nossas colegas, professores funcionários etc. Sempre eu fazia tudo que as minhas colegas/amigas faziam… brincar, saltar, dançar, faltar aulas para ir fazer “atrevimento” .

Com 15 anos, o meu Professor de Educação Física apresentou-me o Comité Paralímpico de Cabo Verde, onde comecei a treinar e, já representei o meu país várias vezes, tenho medalhas incluindo de mérito, que me foi entregue pelo primeiro-ministro de Cabo Verde em 2012.

Em 2013, participei do primeiro Reality Show de Cabo Verde – Casa do Líder, e agora estou a começar no mundo da moda como modelo, tenho uma vida normal, vivo com o meu namorado (que também é meu guia nas competições) e o meu cão guia, e sou eu que cuido da minha casa e faço tudo. Não posso dizer que nunca sofri preconceito, já sofri, mas isso só me dá mais força e motivação para lutar e mostrar que todos nós somos iguais, porém diferentes, importante é o nosso interior, é estar bem com nós mesmos.

Queria acrescentar que os meus familiares sempre me ajudaram muito, os meus pais nunca me privaram de nada, a minha mãe sempre procurava atividade para eu fazer. É muito importante ter esse incentivo no seio familiar.

Quando se nasce cega, não se dá tanta importância a aparência física, dou mais valor ao caráter, então, sempre me apaixonei por alguém depois da convivência, da forma como me trata.

Já me perguntaram como namoro e como faço sexo, faço como todo o mundo, deixo_ me envolver, e aquilo que outros veem com os olhos eu “vejo” com as mãos e assim vou querer ter 2 filhos”.

Este testemunho foi publicado em junho de 2020 e faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Pode gostar também

Deixe um comentário

Follow Us