Este testemunho faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.

 O meu nome é Nádia Martins e tenho 21 anos. Minha mãe conta que quando eu era muito pequena, tive várias feridas pelo corpo (inclusive na cabeça), o que fez com que o meu cabelo caísse, para nunca mais crescer. Nunca tivemos um diagnóstico para a queda do cabelo, e muito menos para o seu não crescimento.

Na infância sofri muito por ser careca, principalmente quando comecei a ir para a escola. As crianças gozavam comigo, eu era motivo de piadas desagradáveis o que me fazia chorar muito. Estava sempre com a cabeça amarrada, e houve um dia em que a minha professora fez-me tirar o lenço. Chorei muito.

Já no liceu, as coisas não mudaram. Continuei a ir para a escola com a cabeça amarrada, mas os professores não me deixavam entrar com o lenço. Alguns alunos andavam atrás de mim com o telemóvel para fazer fotos da minha cabeça, e riam muito.

A cada novo lugar que eu frequentasse era o mesmo processo, pessoas que riam de mim, e eu a sofrer e a chorar muito. Encontrei o apoio em alguns professores e amigos, que me fizeram ver que estava tudo bem, que ser ou estar careca não fazia de mim menos mulher.

As pessoas, sendo elas amigas, familiares e até desconhecidos, por vezes nos ferem de forma gratuita, mas essas cicatrizes me fizeram ficar mais forte e aprendi a gostar de mim do jeito que sou.

A partir do momento que sabemos quem somos e gostamos de nós, ninguém consegue tirar a nossa paz. Hoje vivo sem receios pelo fato de ser careca, considero-me bonita assim. Todos estamos susceptíveis a passar por momentos menos bons na vida, então há que ter empatia para entender a dor do outro. Porque as cicatrizes sempre ficam, e dependendo da pessoa, se colocarem o dedo de novo, pode voltar a sangrar. Mas eu já estou bem resolvida.”

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