Histórias na primeira pessoa: Nilson Pires

Este testemunho faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.

Chamo-me Nilson Pires. Tenho 17 anos e moro na Várzea. Nasci com uma deficiência nos membros inferiores e por causa disso já sofri vários tipos de problemas como falta de acesso, preconceito e bullying.

Mas a minha deficiência nunca me impediu de fazer atividades, ou algo que eu goste de fazer, pelo contrário, sempre me tornou mais forte. “A cada obstáculo, um desafio”.

A minha força maior e motivação já nasceu comigo, herdei da minha própria mãe que nunca deixou de lutar pelo que quer e sempre foi o meu espelho, para eu continuasse em frente. Se ela nasceu em tempos de mentalidades fechadas e nunca desistiu, imagina eu que nasci em momentos oportunos.

Quando era pequeno pratiquei vários tipos de jogos, mas tive de ficar no chão sujo e muito quente para tal, mesmo assim fazia porque gosto de desafiar a minha pessoa.

Hoje faço parte do grupo MON NA RODA e do Comité Paralímpico, onde pratico várias modalidades de desporto adaptado como basquetebol sentado, voleibol sentado, corrida em cadeira de rodas, lançamento e levantamento de peso onde eu conquistei várias medalhas nacionais e internacionais, representando o meu país.

Com apenas 15 anos fui considerado um dos TOP 3 a nível mundial na dança em cadeiras de rodas.

Também fui condecorado pelo presidente da República de Cabo Verde, no dia 5 de julho de 2019, com uma medalha de mérito.

Estudo o 12° ano de escolaridade na ESCJPC (Várzea). Ao terminar o ensino secundário, pretendo formar-me em gestão desportiva e quero fazer história sendo o primeiro professor de educação física com deficiência no nosso país. Sei que essa será mais uma luta contra a questão da acessibilidade, sim falo da acessibilidade porque esta não é somente a falta de rampas de acesso, mas também acesso ao mercado de trabalho e a inclusão.

Lembro-me que a minha mãe queria formar-se em Direito, para fazer a magistratura, mas o sonho dela foi interrompido por falta de acessibilidade na universidade. Eu vou ser mais forte que qualquer obstáculo que possa surgir, pois dos meus sonhos não abro mão.

Um dos meus maiores desejos é ter umas próteses, para poder usar uns ténis. Os sapatos são a minha paixão maior!

E muito obrigado a todos que me apoiaram e continuam a apoiar e aos que acreditam em mim!

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