Este testemunho faz parte de um leque de histórias inspiradoras originalmente publicadas na página Sem Tabus.
Foto cedida

O meu nome é Nina, tenho 36 anos e sou natural da ilha da Boa Vista. Ilha em que passei uma infância boa, fui uma adolescente tranquila, “normal”. A minha maior paixão era estudar.

Com 18 anos segui para o Brasil para dar continuidade aos meus estudos. Entrei na Universidade Federal do Ceará no curso de Odontologia (Medicina Dentária).
Começaram os desafios, tudo era novo para mim, pessoas, lugares, coisas enfim, aparentemente tudo normal.

De repente, começaram a entrar outras coisas, que confesso achei “o máximo”, festas, álcool, cigarro, padjinha, cocaína, LSD (…)

No início, não enxergava nada de anormal, pelo contrário era “fixe”, levava a coisas novas, a loucuras e sem aperceber já faziam parte do meu dia a dia, e é claro, o sonho de ser dentista foi ficando para trás, sem eu notar.

Numa das minhas férias em Cabo Verde, os meu pais não me deixaram regressar ao Brasil (com razão). Para mim o mundo tinha acabado, no fundo ainda eu tinha um desejo enorme em estudar, mas o enganoso mundo “sab” não me deixava.

Daí comecei a beber muito mais, a drogar-me mais. Afastei-me dos meus amigos, família, brigava e magoava muito os meus pais e por incrível que possa parecer não via que o erro estava em mim, todo mundo era chato…

Após um ano, os meus pais resolveram dar-me mais uma chance: ingressei no curso de Fisioterapia na Uni Piaget e ao mesmo tempo fazia terapia no Hospital da Trindade.

Na verdade, só ia à terapia para agradar os meus pais.

Eu amava um drink, cigarro e padjinha não faltavam na minha bolsa e cocaína quando dava, ah arrebentava mesmo, eu era muito doida.

Estudava e drogava-me ao mesmo tempo, às escondidas. Isso prejudicou-me muito, mas graças a Deus, a droga não conseguiu matar a minha paixão pelos estudos. Adorava as aulas de fisioterapia e aprender coisas novas fascina-me. Amo estudar, mas é claro que aquele mundo não me deixou empenhar a 100%.

Ao terminar os meus estudos engravidei, voltei para a Boa Vista, comecei a trabalhar na minha área e parei.

Por amor à minha filha, a Liah parei tudo por dois anos, mas só por amor a ela.

Voltei novamente à essa maldita vida. Dizia que tinha duas Nina dentro de mim, uma maluca e outra aparentemente normal.

A dada altura dei-me conta que estava cansada, a relação com os meus país era péssima, ninguém confiava em mim, a relação com os meus irmãos já era superficial, nas festas riam-se de mim, abusavam de mim, nas ruas falavam da Nina, os olhares não eram dos melhores, a sociedade apontava o dedo.

Eu já não gostava de mim, sentia-me feia, mulher sem valor, mas não me abria com ninguém e continuava naquela vida.

Por vezes, nas festas tive amnésia. No dia seguinte, morria de vergonha visto porque não lembrava das coisas horrendas que provavelmente tinha feito, sofria calada (fingia não sofrer).

Passava uns dois ou tres dias deprimida e depois fazia tudo novamente.

Nos dias de ressaca ou depressão falava comigo mesma: “Nina, tens que parar”. No fundo, queria parar, mas fazia tudo novamente. Aquilo estava a matar-me por dentro, muita tristeza, muita angústia, muitas dores no peito. Literalmente estava cansada, sem força e calada…

Na passagem de ano 2016/2017 a meia noite eu disse, Deus Não te vou pedir nada, só tenho fé que vais mudar a minha vida porque estou cansada.

Fui para uma festa, amanhecendo a minha amiga disse-me: “Nina, hoje estás estranha, “canhambra”, quieta”. Eu respondi, eu estava normal, bem. Hoje tenho o entendimento que o nosso Senhor já tinha começado a trabalhar em mim.

Continuei aquela vidinha. As dores iam aumentando, a consciência pesava, o arrependimento pós-uso era duro, a cada dia gostava menos de mim, aliás já não gostava de mim, via o sofrimento dos meus pais por ter uma filha que nem eu. Já tinha ódio à cocaína, mas acabava por cheirar. Prometia a mim mesma, não vou cheirar mais, não vou beber mais, ficava só nas promessas, não conseguia mesmo.

 

Em Abril, tive um paciente que marcou a minha vida (hoje ele é o meu pastor), no último dia do tratamento ele me ofereceu uma Bíblia, a melhor prenda que eu já recebi, sem dúvida.

Não sei explicar as coisas começaram a mudar, cada vez que fumava vinha a imagem da bíblia na minha cabeça daí pesava a consciência. Aquilo perseguia-me. Poucos dias depois numa sexta-feira, saí da clínica onde trabalhava e fui logo para a igreja do Nazareno, era o culto da Juventude. Ao entrar senti uma sensação tão maravilhosa, tão leve, tão inexplicável que ao chegar em casa falando com os meus botões disse, tens que voltar lá!

No dia 1 de Maio 2017 de madrugada ao voltar da farra disse: “Deus, não quero beber mais, sozinha não consigo, sabes que eu gosto de muito de beber. Ajuda-me”.

Desde então nunca mais bebi, não tenho vontade, não tive recaída, para mim a bebida é lixo.

(…) 

Pois, hoje literalmente sou outra pessoa, completamente diferente, com outra mente, outro coração, outro agir, outra visão e sem droga alguma. Sou feliz, muito mesmo, sou alegre, sou bonita, ando de cabeça erguida, nunca mais senti vergonha de mim, sou respeitada na sociedade, por todos sem exceção. Pedi perdão aos meus pais e hoje tenho uma excelente relação com eles, com meus irmãos, com a minha família e com meus amigos. Amo ser fisioterapeuta, os meus pacientes me amam e sou cristã evangélica. Enfim tudo se fez novo, tenho paz.

Tudo isso graças a Jesus, sou grata e hoje trabalho por ele. O que ele quer para minha vida assim eu quero.

(…)

 

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