Jovem cabo-verdiana transforma paixão por decoração em fonte de renda extra

Jovem cabo-verdiana transforma paixão por decoração em fonte de renda extra

Djenny é uma jovem santacatarinense que desenvolveu uma paixão pela área da decoração na adolescência. Hoje o que era apenas um hobby é a sua segunda profissão.

Foi durante a pandemia que Cláudia Djenny Brito da Silva, mais conhecida por Djenny, resolveu começar a partilhar fotos e ideias de decoração nas redes sociais. Perante o interesse de várias pessoas, esta técnica comercial de uma empresa nacional de telecomunicações decidiu empreender como decoradora de festas e eventos e no design de interiores para obter uma renda extra.

Desde a adolescência que esta jovem de Assomada, percebeu que era muito perfecionista quando o assunto era decoração e com isso começou a ganhar o gosto pela área, conta a jovem em entrevista ao Balai. A mesma diz que se via na época como uma adolescente calma que não saia muito de casa e para se divertir fazia mudanças de móveis e decorações de camas e mesas, o que a fez notar que tinha habilidades nesse ramo.

Djenny, de 34 anos, conta que quando se casou e teve casa própria começou a decorar o espaço e recebeu elogios de amigos. A jovem explica que a ideia de apostar na decoração surgiu em 2020, durante a pandemia da covid-19, quando as pessoas estavam confinadas em casa e começaram a notar que as suas habitações precisavam de mais conforto e mudanças, o que coincidiu com o período que começou a postar nas redes sociais ideias de decorações. Recorda que as partilhas eram uma distração, mas que acabou por ganhar visibilidade na internet e com o tempo começou a ganhar clientes. “Foi um sucesso e a partir desse período vi que este trabalho poderia servir de uma segunda profissão”.

“Com o passar do tempo interessei-me mais sobre o assunto e fui buscar inspiração nas decoradoras nacionais e internacionais, passei a ver podcasts, a fazer consultorias e pesquisas na área”, acrescentou.

No final de 2022, decidiu apostar também na decoração de festas e eventos e as pessoas passaram a contactá-la frequentemente por causa destes serviços.

Nessa altura, Djenny também passou a ir à casa dos clientes e a estudar os espaços, para entender as suas personalidades e estilos. A decoração tem que ser baseada no que a pessoa é porque a nossa casa reflete o que somos”.

Por isso acredita que fazer a decoração de interiores é mais complexo do que decorar eventos e festas. Justifica que ao decorar uma casa, entra-se na intimidade da pessoa, o que é uma questão muito sensível. Além disso, diz ser necessário lidar com pessoas de personalidades diferentes, o que torna cada trabalho único e desafiador.

Questionada sobre como consegue juntar a criatividade com a inovação nos projetos, a decoradora justifica que na maioria das vezes os clientes já chegam com as imagens do que querem e que ela tenta ser criativa a partir da ideia sugerida. “Eu mostro-lhes como podemos inovar usando a mesma linha de pensamento que sugerem”.

“Mas para fazer um casamento (por exemplo) entre a criatividade e a inovação, o cliente tem que autorizar e, às vezes, não é fácil porque eles têm ideias que nem sempre coincidem com o tamanho ou a estética do espaço ou com o valor dos materiais. Quando não consigo convencê-los da minha proposta, tento adaptar a opção que sugerem”.

Segundo a mesma, quando se trata de decorações de festas e eventos, analisa inicialmente a estética do espaço e o número das pessoas. Já para a decoração de interiores, Djenny diz que tem que estudar a personalidade e o espírito da pessoa. 

Explica que inicialmente tinha uma parceira e trabalhavam juntas, mas devido a outros compromissos, ambas encerraram a parceria e Djenny começou a trabalhar sozinha. 

A decoradora conta que o auge da carreira deu-se em 2023, com os pedidos de decoração de festas a superar os de interiores e que a época de maior procura é durante o Natal, quando é solicitada para fazer a decoração de mesas postas.

Quanto aos materiais usados, a jovem diz que a maioria dos que usa são comprados nas lojas do país. “Visto que o mercado cabo-verdiano é caro, as lojas chinesas ajudam a cobrir os gastos. E cada trabalho vai de acordo com o plafond dos clientes, eu mostro-lhes o projeto e conforme o orçamento que possuem, analiso os meus honorários e depois o que pode ser feito”, explica e acrescenta que  “sempre ajuda os clientes a rentabilizar, fazendo a reciclagem e a modificação dos materiais que já têm em casa”.

Trabalha com outros profissionais como carpinteiros, pintores e eletricistas, mas que não são uma equipa fixa e sim prestadores de serviços.

fez alguns trabalhos fora da ilha de Santiago, nomeadamente nas ilhas do Maio, São Vicente e Santo Antão, bem como no exterior em países como Portugal, França e Suíça. Nestas ocasiões, realizou consultorias online e coordenou a decoração à distância. “Adquiri todos os materiais necessários e enviei para o local onde a decoração seria feita e orientei todo o processo de montagem e correu tudo bem”. 

Cumprir com as expectativas

De acordo com Djenny, o maior desafio é fazer um trabalho que consiga cumprir com as expectativas dos clientes, contudo salienta que até agora nunca teve problemas com os resultados mas que se sente pressionada em atingir os objetivos o que lhe gera algum desgaste psicológico.

Outra dificuldade é o cansaço, pois muitas vezes precisa percorrer várias lojas em busca dos materiais solicitados. “Às vezes quero fazer um trabalho extraordinário, mas nem sempre consigo encontrar os materiais em Cabo Verde e também carpinteiros que possam fazer um trabalho ao gosto do cliente e no prazo estabelecido”, lamenta e diz que acaba por ficar prejudicada por estar a coordenar o projeto.

Diz que a solução é tentar se adaptar e comprar fora do país para conseguir encontrar todos os materiais necessários, mas que nem todos os clientes têm essa possibilidade devido às limitações financeiras.

Rotina intensa para conciliar as várias vertentes profissionais

Reconhece que conciliar o trabalho como Técnica Comercial com a decoração e as responsabilidades familiares é uma tarefa desafiadora e descreve que tem uma rotina intensa. Aproveita os dias de semanas para organizar orçamentos e arrumar os materiais após o expediente e reserva os fins de semana para realizar consultorias e acompanhar os clientes nas compras.

Djenny conta que um dos seus projetos futuros é viajar para o exterior para fazer compras de materiais que poderá também vender para outras decoradoras. Atualmente, compra online, o que nem sempre é uma tarefa fácil. No entanto, acredita que daqui a algum tempo poderá ter condições de se deslocar ao estrangeiro para realizar essas compras.

 

Gostaria de um dia ser reconhecida internacionalmente na área da decoração e fazer trabalhos idênticos aos das decoradoras no exterior que são a sua inspiração. Mas está consciente de que para realizar este sonho terá de encontrar clientes dispostos a pagar por esse tipo de trabalho. “(…) a realidade financeira de Cabo Verde é precária, existem pessoas que almejam ter as suas casas e festas com decorações que veem na internet mas a condição financeira não lhes permite”.

A jovem empreendedora aconselha a quem esteja interessado na área que comece a investir desde já, enfrentando o medo inicial. A mesma reconhece que lidar com várias personalidades pode ser desafiador, bem como alcançar as expectativas e a satisfação dos clientes nem sempre é fácil. 

Djenny diz que gosta de incentivar os colegas do ramo da decoração e que não os vê como concorrentes diretos, mas sim como profissionais que têm um público-alvo próprio e estratégias individuais para atrair clientes.

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