Kathy Moeda: “É preciso ter vocação para trabalhar em televisão”

Tem 33 anos e é uma das caras do programa da televisão nacional, TCV, Show da Manhã. Já nas redes sociais Kathy Moeda conta mais de 47 mil seguidores no Instagram e soma e segue como Influencer Digital. Apesar de ser filha de uma apresentadora de televisão – Helena Amado – Kathy diz que nunca pensou que iria seguir os passos da mãe nesta área. Em entrevista ao Balai, Kathy Moeda diz que “é preciso ter vocação para trabalhar em televisão”.

“Acho que fui influenciada de alguma forma pela minha mãe que era apresentadora de televisão. Na altura, eu era pequena e a acompanhava nas suas idas à TCV e assistia o programa. Mas nunca pensei que um dia iria trabalhar em televisão”, conta.

Em 2007, Kathy rumou para o Brasil para fazer uma formação na área de Hotelaria e Turismo na Universidade de Fortaleza (Unifor). “Durante a minha estadia em Fortaleza trabalhei na área de publicidade. Apesar de não ter o biotipo de modelo que exigem, fiz alguns trabalhos nesse ramo”.

A estreia de Kathy como apresentadora viria a acontecer uns anos mais tarde no programa Kriola Magazine, da produtora Artemedia Produções que era transmitido na televisão nacional.

“Quando regressei a Cabo Verde em 2011, a diretora da Artemedia Produções, Margarida Conde, lançou-me o desafio de ser uma das apresentadoras do Kriola Magazine. Aceitei e a partir desse momento surgiram os eventos, os tapetes vermelhos, convites para ser mestre de cerimónia, (…)”.

Dinâmica, sonhadora e ativa, a praiense também trabalhou como Relações Públicas na capital do país, mas diz que agora não se vê a realizar este trabalho. “Cada fase é uma fase de aprendizado e evolução. Se calhar, agora não me vejo a trabalhar nas noites da capital enquanto Relações Públicas. Foi bom enquanto durou”.

“Éder Xavier é o meu maior professor no Show da Manhã”

Em abril de 2018, Kathy viajou para os Estados Unidos, país onde esteve durante três meses. Ao regressar ao arquipélago soube de um casting para ser apresentadora do programa Show da Manhã na TCV e não hesitou em concorrer. “Resolvi participar, mas só que o casting já tinha terminado. Passado alguns tempos ligaram-me a perguntar se ainda estava interessada porque a pessoa selecionada tinha desistido”, recorda.

Apesar de nunca ter apresentado um programa em direto, Kathy aceitou o convite e estreou-se ao lado do apresentador Éder Xavier no Show de Manhã.

“Literalmente, cai de paraquedas na apresentação em direto na televisão. Apenas tinha uma formação de Mestre de Cerimónias e que nada tem a ver com a televisão. O programa Kriola Magazine era gravado e havia margem de erro. Agora, apresentar um programa em direto com duração de três horas não tem como errar”, explica.

Há dois anos a apresentar o Show da Manhã, a praiense diz que a sua evolução enquanto apresentadora é surreal. “Evolui enquanto pessoa, profissional e descobri essa vocação. É preciso ter vocação para trabalhar em televisão”, diz e explica que a experiência na TCV tem sido boa e que tem aprendido todos os dias com os colegas. “O Éder Xavier é o meu maior professor lá dentro. Os realizadores também me ajudam. É gratificante quando se tem colegas de trabalho que te ajudam e ensinam”, afirma.

Questionada como tem sido o feedback do público, a apresentadora diz “positivo”. “Posso dizer que agora não sou uma pessoa anónima e já não passo despercebida”, diz e salienta que tem tido uma visibilidade grande.

A sua mãe – Helena Amado – é a sua maior inspiração. “A minha mãe já foi apresentadora de televisão e já fez vários programas como Brincar e Crescer, Iogurte Iogurel, Casa e Cozinha e já apresentou o reality show Casa do Líder. Sempre que tenho alguma dúvida em relação a um pivot peço-lhe ajuda. A minha mãe é a minha inspiração como profissional e como pessoa. Ela é uma mulher excecional e extraordinária (risos)”, diz e afirma que a sua mãe é também a sua maior fã.

Uma influencer digital real e sem filtros

Kathy Moeda também é influencer digital e tem uma conta no instagram com mais de 47 mil seguidores. Abriu a conta há um ano e meio e não estava à espera que as pessoas se identificassem com os seus conteúdos.

“Decidi abrir o meu instagram como figura pública e apresentadora de televisão e não tinha a noção que as pessoas iriam seguir a minha página e que se identificassem comigo. Quero ser uma influenciadora real que mostra os problemas do dia a dia e não apenas um rosto bonito ou ser apenas mais uma influencer digital”, salienta.

Kathy diz que tenta evitar os filtros e não usa Photoshop nas suas fotografias. “Vejo que as pessoas se identificam com esse lado meu, a Kathy que é gente como a gente. Há pessoas que não assumem o cabelo afro, a acne, o corpo, (…) e tento transmitir uma mensagem com os meus conteúdos. O importante é assumir o que somos. Então, acho que está a ser uma caminhada bonita”, diz.

Por outro lado, a apresentadora afirma que tem certo cuidado e limites com o que coloca nas redes sociais. “Preservo a minha família e a minha privacidade, embora mostro quase tudo”.

Diariamente, Kathy recebe centenas de mensagens positivas dos seguidores. “Vejo que gostam de mim. Se calhar é por causa da minha maneira de ser. Não tinha a noção do poder que tenho em mãos”, diz e salienta que nos dias em que não se sente bem não aparece nos stories.

Questionada sobre como lida com o facto de estar a influenciar várias pessoas, Kathy diz que, desde que seja pela positividade, está tudo bem. “As coisas com as quais não me identifico e que não são dignas de ser influenciadas tento evitar. Tenho um certo filtro sobre o que coloco nas redes sociais”.

Apostar mais no digital

Com o auge da internet, os influencers digitais têm conquistado o mercado a nível global. Em Cabo Verde, segundo Kathy Moeda, as empresas ainda não estão a acreditar no poder de influência dos influencers digitais como uma nova ferramenta de marketing. “Acho que ainda o mercado nacional não assumiu que precisa do digital. Agora com a pandemia tivemos que reinventar e apostar mais no online e deu certo. Então, deviam acreditar e apostar mais nos inluencers digitais”, declara Kathy.

Apesar de entender que é mais fácil para algumas empresas em “pagar os influencers com produtos” acredita que já é altura dos influencers serem remunerados pelo trabalho que fazem. “Também temos contas para pagar”.

Durante a quarentena investiu em formações na área das redes sociais porque acredita que é preciso estar sempre atualizado. “Há pessoas que são influencers natos, mas as formações sempre ajudam”.

No que tange aos planos para o futuro, Kathy ambiciona ter o seu próprio programa televisivo na área do entretenimento. “Cabo Verde tem falta de programas para crianças. Penso que seria uma boa aposta e as crianças gostam da ‘tia Kathy’. Gostaria de explorar um Talk Show com temas diversos para sair do comum e trazer algo inovador”.

Como influencer digital, Kathy quer continuar a produzir conteúdos que transmitam mensagens positivas e conseguir mais marcas para trabalhar em parceria.

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