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Ser apresentadora de um programa televisivo nunca esteve nos planos de Morena Mendes. Começou por acaso, gostou e agora quer singrar nesta área e ser uma referência no mercado cabo-verdiano. Em entrevista ao Balai, a jovem conta um pouco sobre o seu percurso profissional.
“Nunca pensei que um dia iria trabalhar em televisão. Tenho uma amiga que sempre me disse que devia apostar na área de teatro ou comunicação. Chegou até a convidar-me para fazer parte do grupo teatral Fladu Flá, do qual ela fazia parte na altura. Depois pediu-me para acompanhá-la até as instalações da TIVER – Televisão Independente de Cabo Verde, onde trabalhava. Tive a oportunidade de conhecer o estúdio de gravação e de conversar com o diretor da empresa, que no final da visita convidou-me para fazer parte da equipa”, recorda.
Entre 2014 e 2015, estreou-se no programa musical “Top Show Music” da TIVER, que liderou durante um ano. “Quando dei por mim, já estava no estúdio a gravar”.
Segundo Morena, a TIVER é uma escola de aprendizagem na área da comunicação social no país. “Quando entrei não tinha experiência como repórter e em duas semanas já estava no terreno, no meio de outros jornalistas, a fazer entrevistas de temas diversos, até mesmo jornalísticos. Fazia o programa musical e ao mesmo tempo desempenhava a função de repórter. Na TIVER, acabámos por fazer de tudo um pouco, querendo ou não (risos). Para mim foi ótimo, pois foi um aprendizado”.
Após um ano a liderar o “Top Show Music”, a jovem foi convidada pelo Saulo Montrond, da empresa Green Stúdio, para comandar o programa online “Unplugged” da Muzika TV.
“Apresentei o programa de 2016 a 2019. Foi uma experiência intensa em todos os níveis (gargalhada). Era apresentadora, fazíamos transmissões de festivais e concertos, era diretora do canal e estava envolvida na área de Marketing e Publicidade”.
Em outubro de 2019, Morena deixou a Green Stúdio para liderar o “Eco Musical” na Televisão Record Cabo Verde, onde permanece até ao momento.
Apesar de já ter uma experiência como apresentadora, Morena diz que na estreia do Eco Musical sentiu o “clássico friozinho na barriga”. “Digo sempre que fazer um direto é sempre uma primeira vez outra vez. Por mais que ache que esteja preparada, há coisas que não dependem de mim e tenho que dominar o improviso. Na estreia no Eco Musical estava nervosa, mas depois de 5 minutos senti-me em casa”, diz e acrescenta que a experiência na Record Cabo Verde está a ser “interessante”. “O ambiente é saudável, a equipa é jovem e apoiamo-nos mutuamente”.
Questionada sobre como tem sido o feedback do público, Morena diz que tem sido bom e que não tem do que se queixar. “Estava à espera de um feedback positivo, mas não imaginava que seria tanto. O que faz um programa bom é o (a) próprio (a) apresentador (a). Tem que ter uma identidade própria, ser autêntico e levar em consideração a mensagem que quer transmitir”, diz e acredita que o seu carisma tem influenciado o feedback do público.
Morena tem formação em Inglês e falta-lhe concluir a licenciatura em Geografia e Ordenamento de Território, mas estar à frente de um programa musical é onde se sente bem.
“Apresento programas de televisão há cerca de cinco anos e é o que quero fazer daqui para a frente. Não quero ficar exclusivamente nesta área, gosto também de entretenimento. Quero ser uma referência no mercado cabo-verdiano naquilo que faço, entretenimento e música”.

Literatura infantojuvenil, outra paixão
A jovem tem outros projetos, tanto pessoais como profissionais, em andamento, mas diz que a pandemia da Covid-19 atrapalhou os planos. Morena pretende entrar no mundo da literatura e ter um negócio na área de estética.
Apaixonada pela literatura, a praiense começou a escrever os primeiros rascunhos aos 14 anos.
“Fui incentivada pela minha professora da disciplina de Português e hoje em dia tenho o vício da leitura. O meu foco é a ficção voltada para o público infantojuvenil. Já tenho rascunhos de cinco livros na gaveta e o meu problema é escolher qual é que vou lançar primeiro”, diz e salienta que antes do lançamento pretende dar palestras nas escolas para incentivar o amor à leitura.” Existe um défice de leitura no país”.
Diz que a pandemia da Covid-19 condicionou os seus planos, mas por outro lado foi bom porque teve tempo para fazer uma revisão dos seus livros e agilizar o negócio na área de estética que pretende lançar ainda este ano. “O que aprendi com a Covid-19 é que não podemos fazer planos”, conclui.





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