Nutricionista alerta para o perigo da introdução do açúcar na dieta infantil antes dos 2 anos

De acordo com Darlene Rocha, a alimentação das crianças em Cabo Verde não é considerada muito saudável, com algumas exceções. A nutricionista alerta também para a necessidade de um estilo de vida saudável.

Com o fim das férias e o regresso às aulas, os pais e encarregados de educação ficam na dúvida sobre o que colocar na lancheira escolar e muitos optam por produtos industrializados que são mais baratos, acessíveis e têm muito açúcar na sua composição. O Balai esteve à conversa com a nutricionista Darlene Rocha que alerta para o uso excessivo de açúcar e aconselha um estilo de vida mais saudável para as crianças e para a família no geral.

Segundo a nutricionista, a alimentação das crianças no país não é considerada muito saudável, “com algumas exceções, que são poucas”.

“Após os 6 meses de vida é recomendado seguir uma alimentação saudável onde deve incluir todos os alimentos existentes na roda alimentar, só que não é o que está a acontecer. Infelizmente, existe um consumo excessivo de açúcar e as crianças estão a ser introduzidas ao açúcar antes dos 2 anos. (…) O uso excessivo do açúcar e alimentos açucarados desde muito cedo pode provocar o desenvolvimento de doenças crónicas não transmissíveis como Diabetes, Cancro, entre outros”, alerta a especialista que trabalha na Delegacia de Saúde do Porto Novo, Santo Antão.

É importante desenvolver bons hábitos alimentares desde cedo e o primeiro passo para isso é, segundo Darlene Rocha, ser um exemplo. “É sempre recomendado incentivar o consumo de alimentos de qualidade e fazer com que as crianças gostem do que estão a comer, e, sem dúvida, o núcleo familiar deve ser um exemplo com um estilo de vida saudável e isso, evidentemente, leva as crianças a serem mais abertas a novos sabores e alimentos.”

A nutricionista enfatiza que a inclusão das crianças no preparo dos alimentos é também uma boa alternativa para incentivar uma alimentação saudável. “Conhecer o que vai para a mesa (e, no caso, para a lancheira) faz com que sejam criados laços entre a criança e os ingredientes utilizados. (…) Os filhos devem participar no processo de montagem da lancheira, o que os incentiva a consumir os alimentos e desperta o interesse pelos lanches saudáveis.”

Darlene Rocha orienta a preparar lanches que incluam se possível um alimento de cada grupo. “Uma proteína como o queijo ou o iogurte, uma fruta, um carboidrato como as bolachas simples ou um bolo caseiro que tenha frutas e uma bebida (água ou sumo natural)”, diz e enfatiza que a lancheira infantil sempre deve ter fruta e água.

Já os produtos industrializados, ricos em conservantes e com alto índice de açúcar “devem ser evitados”.

A especialista salienta que, na hora de preparar a lancheira, é preciso levar em conta o período em que a criança estuda, bem como na refeição que ela fez em casa, antes de ir à escola.

No que tange à conservação dos alimentos na lancheira, a nutricionista diz que é preciso ter cuidado com a higienização dos alimentos, bem como da lancheira todos os dias, de forma a evitar verminoses e outras doenças.

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