“O aleitamento materno é a primeira vacina de uma criança”, diz nutricionista Alzerina Monteiro

Numa conversa aberta com várias mães na cidade da Praia, a especialista destacou a importância do aleitamento materno tanto para os bebés, como para as mães e para a família, no geral.

No âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, várias atividades estão a decorrer na cidade da Praia, bem como noutros pontos do país de 1 a 7 de agosto. O objetivo é incentivar a o aleitamento materno, lembrando que se trata de “uma responsabilidade de todos”.

“O aleitamento materno é a base da vida e contribui para a saúde, a nutrição e a segurança alimentar, a curto e longo prazo, em situações normais como em emergências”, lê-se no documento partilhado pelo ministério de Saúde, no âmbito desta efeméride.

E é justamente sobre os benefícios do aleitamento materno que a nutricionista Alzerina Monteiro, natural de Santo Antão e que atua neste ramo há seis anos nos Centros de Saúde da Fazenda e da Achada Santo António, conversou nesta quinta-feira, 4, com cerca de uma dezena de mães que se deslocaram ao Centro de Saúde da Fazenda para uma conversa sob o Lema “Fortalecer a amamentação: educando e apoiando”,.

“O aleitamento materno é a primeira vacina de uma criança. É o alimento mais completo que existe para a criança, possui todos os nutrientes que a criança precisa para crescer e desenvolver-se saudável até os dois anos ou mais”, explica em entrevista ao Balai.

Segundo a especialista, o objetivo da realização destas atividades é educar e estimular as mães a amamentar os filhos. “Proteger a amamentação é responsabilidade de todos”, salienta.

A nutricionista salienta ainda que a amamentação é responsável por criar um laço afetivo maior entre a mãe e o bebé. Alzerina Monteiro aconselha as mães a oferecerem aos seus bebés somente leite materno (mama) até os seis meses de vida.

Destaca ainda os benefícios da amamentação que “protege a criança de alergias, asma, obesidade, diabetes e anemia”. “Diminui a hipótese de a criança apresentar cólicas, favorece o seu desenvolvimento físico e intelectual”.

Já os benefícios para a saúde materna também, salienta, que são diversos: “previne a anemia, reduz o risco de cancro da mama e ovários, ajuda o útero a recuperar o seu tamanho normal, auxilia na recuperação do peso e evita uma nova gravidez”.
“O aleitamento materno contribui para a economia da família, é gratuito, encontra-se pronto para o consumo da criança, não precisa aquecer, encontra-se na temperatura ideal. Também contribui para um menor gasto com os profissionais da saúde, beneficiando o estado”, acrescenta.

A nutricionista explica que o caderno da criança e do adolescente é de extrema importância por que nele constam todas as informações importantes sobre a criança, o seu desenvolvimento e alimentação e que este deve ser usado sempre para que os pais estejam informados e não somente ao dirigir-se para os centros de saúde.

Questionada sobre a licença de maternidade acredita que esta deve ser aumentada para o mínimo de quatro meses ou seis meses.

Alzerina Monteiro defende que é necessário criar lugares de amamentação nos locais de trabalho porque tanto a mãe e a criança ganham com esta iniciativa, mas também a empresa que terá melhor desempenho por parte das mães trabalhadoras.

A especialista acredita ainda que existe vários desafios no que tange ao aleitamento materno. Uma das grandes preocupações é aumentar a taxa de Aleitamento Materno Exclusivo (AME), pois está muito baixa.

Aponta que há ainda muitos mitos e crenças sobre a amamentação. A título de exemplo, explica que a relação sexual com outro parceiro não altera em nada as propriedades do leite e que o conceito popularmente conhecido como “leite sujo não existe”.

Outro aspeto abordado por Alzerina Monteiro foi a questão estética como um dos fatores que levam ao desmame precoce, o que não considera saudável nem para a saúde da mãe nem da criança.

Segundo uma das participantes da conversa, Carla Sanches, residente no bairro Castelão e mãe de uma criança, esta atividade trouxe-lhe maior esclarecimento no que tange à alimentação e os alimentos que se deve dar para as crianças. “Apesar de eu e o pai da criança não morarmos juntos, ele me apoia e me incentiva a dar de mamar à criança até à idade aconselhável”.

A nível nacional, várias atividades estão a decorrer de modo a incentivar o aleitamento materno nas diferentes estruturas de saúde de quase todas as ilhas.

Cátia Gonçalves/ estagiária

 

 

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