“O cabelo é um marcador da saúde”, diz tricologista e terapeuta capilar cabo-verdiana

A especialista explica, em entrevista ao Balai, que mais do que estética, cuidar do couro cabeludo é uma questão de saúde e alerta que o estilo de vida tem um impacto significativo na saúde capilar.

Suzana Nunes é uma salense de 38 anos que sempre gostou da área do cuidado com os cabelos, mas não se identificava como cabeleireira. Há cinco anos descobriu a sua verdadeira vocação na tricologia, ciência dos cabelos, responsável por pesquisar, tratar e evitar problemas relacionados com a saúde capilar.

Em 2006, ainda indecisa, rumou para o Brasil para cursar Administração de Empresas, mas três anos depois um anúncio num jornal iria despertar um sonho antigo.

“Num belo dia ao ler um jornal deparei-me com um anúncio sobre avaliação capilar, algo diferente, rasguei a folha e fui à procura do espaço. (…) Fiquei tão fascinada que acabei por comprar um tratamento. Era caro, mas queria sentir aquela sensação”, diz e acrescenta que a partir desse dia teve a certeza de que era essa área que queria seguir, mas como estava no último ano da universidade decidiu focar-se nos estudos e engavetar aquele pedaço de jornal que guarda até hoje.

Formou-se em Administração de Empresas e em 2010 regressou à ilha do Sal, começou a trabalhar na área, mas sem esquecer a tricologia. A paixão era tanta que quatro anos depois, durante as férias, regressou ao Brasil para fazer uma pequena formação na área.

No regresso ao arquipélago, a salense optou por continuar a trabalhar na área de Administração de Empresas, mas a vontade de enveredar pela Tricologia não desapareceu e a paixão só aumentou com o passar dos anos.

Em 2015, participou num concurso de empreendedorismo com um projeto sobre a tricologia, venceu, e viu que já não havia mais voltas a dar. Três anos depois tomou “uma decisão radical” e rumou para o Brasil em busca de concretizar o seu sonho.

“Juntamente com o meu filho mais velho e o meu marido, viajei para o Brasil e fiz uma pós-graduação em Tricologia na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo, bem como um curso internacional em Tricologia. E desde essa altura estou a desmembrar esse mundo da tricologia, que surgiu em 1902 na Inglaterra”, diz a especialista em microagulhamento capilar, terapeuta integrativa e dermoterapeuta capilar.

Cabelos são o reflexo da saúde

Conforme explica Suzana Nunes, para o organismo, o cabelo não é tão importante quanto a parte vital e quando o suporte nutricional é diminuído, os cabelos, as unhas, a pele e os dentes são prejudicados. Ela considera o “cabelo um marcador da saúde” e alerta que a queda do cabelo pode ser o indício de alguma doença como tiroide, síndrome dos ovários policísticos, candidíase de repetição vaginal, alopecia areata, bem como parasitas. A especialista recomenda aos adultos a fazer a desparasitação uma vez ao ano.

Ao longo desses seis anos de experiência em tratamento do couro cabeludo, a especialista diz que as queixas mais comuns dos pacientes são alopecia androgenética ou calvície e eflúvio telógeno, que é a queda do cabelo em excesso.

Segundo a tricologista, o estilo de vida é um dos fatores que pode afetar a saúde e a aparência do cabelo. “O tratamento que faço é de dentro para fora e foco em seis pilares da saúde: alimentação, ingestão de líquidos, qualidade do sono, funcionamento do intestino, exercício físico e saúde mental”, diz e acrescenta que sempre solicita exames laboratoriais como hemograma completo, vitaminas D, B12 e A, glicemia, entre outros. Suzana trabalha com outros profissionais de saúde, como por exemplo, nutricionistas, ginecologistas e clínicos de medicina geral.

No que diz respeito a Cabo Verde, apesar de nunca ter trabalhado com o público local, Suzana Nunes diz que no país o cabelo é uma questão de estética e não de saúde e alerta que há alguns hábitos que estão a prejudicar a saúde capilar. “Lavar o cabelo uma vez por semana contribui para o surgimento de fungos no couro cabeludo, prender o cabelo húmido ou molhado não é aconselhável, uso demasiado creme de pentear, o que deixa um cabelo bonito é muita água e pouco creme”.

Questionada sobre se pretende regressar ao arquipélago e apostar na área, a tricologista diz que ainda se sente insegura por causa das limitações do país e não sabe se teria público suficiente, mas garante que pretende trazer esta especialidade para o arquipélago. “Em Cabo Verde ainda não fazem todos os exames que solicito. Não sei se já existem farmácias de manipulação no país, às vezes é preciso importar produtos para fazer os tratamentos. Então, é algo que ainda me deixa insegura em voltar, mas fazer uma consulta online e conversar com as pessoas isso já consigo fazer”, finaliza.

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