“Os pais devem incentivar o gosto pela escrita e leitura nos filhos”, defende vencedora do concurso “Contos Igualdade de Género”

Néliciete Tavares é a autora por detrás do conto “A Minha Idade” que relata a história de Neila que cresceu num lar com violência e que foi mãe muito cedo. O conto valeu à estudante praiense de 17 anos o primeiro lugar na 3ª edição do concurso “Contos Igualdade de Género”. Em entrevista ao Balai, a estudante do primeiro ano de Comunicação Social na Uni-CV fala um pouco sobre a sua trajetória, o interesse pela leitura e escrita e a ambição de lançar um livro.

Incentivada pelos pais, Néliciete Barbosa Tavares diz que sempre teve o gosto pela leitura e pela escrita.

“Os meus pais sempre me incentivaram a escrever e a criar o gosto pela leitura. Ofereciam-me livros e cadernos e comecei a escrever desde os 6 anos. Comecei com histórias curtas e depois passei para os contos, poemas, crónicas, (…), enfim, escrevo de tudo um pouco e tenho vários cadernos recheados de histórias. Todos os pais devem incentivar o gosto pela escrita e leitura nos filhos”, diz com um sorriso.

Este ano, motivada pela amiga e colega de liceu Romise Barreto, que foi a vencedora da segunda edição do concurso nacional “Contos Igualdade de Género” promovido pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), a jovem participou da 3ª edição do concurso com o conto “A Minha Idade”, onde se sagrou vencedora, algo que não estava à espera.

“Escrevi o conto com a intenção de vencer, mas como o concurso era a nível nacional estava à espera de ficar pelo menos em terceiro lugar (risos). Quando foi-me comunicado de que tinha sido a vencedora fiquei surpreendida, uma vez que, não estava à espera”, conta e acrescenta que os pais e os amigos ficaram orgulhosos com a sua conquista.

Como prémio recebeu um computador que considera ser um incentivo para continuar a escrever.

“O computador vai facilitar-me a escrita, porque antes escrevia no papel, depois transcrevia para o telemóvel para poder fazer a correção e a edição e era um pouco difícil. Fiquei muito contente com o prémio”.

“A Minha Idade”, um conto sobre a VBG

Segundo Néliciete Tavares, “A Minha Idade” é uma história fictícia baseada em factos reais que conta a história de Neila, uma menina de 16 anos que se apaixona por um rapaz mais velho.

“Neila cresceu num lar onde o seu pai agredia a sua mãe por causa do uso abusivo do álcool. Ela acabou por encontrar um refúgio naquele que ela idealizou como sendo o seu príncipe. Engravidou, saiu da casa dos pais e depois viu que a vida não era apenas um conto de fadas que ela tinha idealizado”, conta sobre a história que não tem um final feliz.

Escreveu o conto “A Minha Idade” especialmente para o concurso, mas ao longo da sua criação Néliciete criou uma paixão pela personagem Neila e não queria deixá-la.

“Quem sabe mais tarde posso vir a transforma o conto em um romance. Neila é uma história que não queria terminar. A propósito, o fim da personagem Neila escrevi depois que participei numa conversa aberta no Palácio da Cultura, onde um dos integrantes da ONG Laço Branco me disse que fazem reuniões com homens que antes praticavam Violência Baseada no Género (VBG)”.

Questionada sobre se o conto é uma forma de alertar os jovens sobre a gravidez precoce e a Violência Baseada no Género (VBG), a jovem escritora não hesita em dizer que sim.

“Com certeza, porque na descrição que faço de Marco, que é o personagem pelo qual a Neila apaixona, fiz questão de descreve-lo de uma forma encantada. No início, quando achamos alguém atraente é uma maravilha, mas temos que ver que as coisas vão para além da aparência e que ainda temos muito para viver. Tudo tem o seu tempo. Para nós, os adolescentes, é um pouco difícil colocar na mente que tudo tem o seu tempo, mas fiz questão de demonstrar no conto que é preciso escutar os conselhos das pessoas”.

Néliciete quer ir além do conto “A Minha Idade”. A jovem ambiciona lançar um livro, mas enquanto isso não acontece vai disponibilizando algumas das suas histórias no aplicativo Whattpad.

“Desde pequena que digo que o meu plano é ser imortal. Quero fazer coisas para entrar na história. Publicar um livro com certeza é uma meta que quero atingir e espero que não dure muito tempo (risos)”, diz a jovem escritora que está a escrever um romance denominado “Geração 2020”.

“A obra é sobre vários aspetos da sociedade, concretamente sobre a visão da minha geração que, infelizmente, está a ser caracterizada como uma catástrofe”.

No futuro a jovem, que está a cursar o primeiro ano do curso de Comunicação Social na vertente Jornalismo, que está localizado no novo campus da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), quer fazer carreira nas áreas de comunicação social, literatura e/ou social.

“Pretendo terminar a minha licenciatura, fazer um mestrado fora do país e conseguir avançar na carreira e trabalhar na área social como ativista. Estou inscrita na Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), mas o objetivo é um dia criar a minha própria associação”, conclui.

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