“Pretinha do Sabor”: Atleta santantonense empreende na confeção de sushi por encomenda na cidade da Praia

“Pretinha do Sabor”: Atleta santantonense empreende na confeção de sushi por encomenda na cidade da Praia

Apesar de ter mais experiência na pastelaria e na confeitaria, há cerca de um ano Eurídece De Pina apostou na confeção de sushi por encomenda.

Natural de Santo Antão, a jovem atleta de voleibol Eurídece de Pina reside há três anos na cidade da Praia. Foi na capital que resolveu apostar num negócio próprio e abriu um negócio de confecção de sushi por encomenda. Em entrevista ao Balai contou sobre o seu percurso ligado à cozinha e a sua história como atleta de voleibol.

Eurídece explica que teve contacto com a cozinha desde pequena porque a mãe trabalhava como cozinheira. “Digamos que é um amor que veio desde muito cedo. Comecei a trabalhar em São Vicente a fazer bolos de pote, depois segui para a confeitaria e pastelaria”, conta a jovem de 29 anos.

Ainda começou a fazer uma licenciatura em Gestão de Empresas, Turismo e Hotelaria, mas sentiu que não era a profissão que queria. Para não ficar parada decidiu fazer uma formação de seis meses na área de cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo, tendo depois realizado um estágio de 3 meses na área.

O interesse em trabalhar com o sushi surgiu por curiosidade e o primeiro contacto foi com a sua nutricionista com a qual aprendeu algumas técnicas, explica a jovem.

Assim, há cerca de um ano começou a trabalhar com a confecção de sushi e por não ter uma formação na área, teve de pesquisar e ver tutoriais para aprender a fazer esta iguaria.

Antes de começar a venda ao público em geral, deu aos amigos para experimentarem e darem a sua opinião. Quando se sentiu confiante, decidiu avançar com o negócio.

“Com vários anos a trabalhar na cozinha, surgiu o interesse em me tornar empreendedora”, explica, acrescentando que foi inspirada pela experiência que teve com a mãe na cozinha.

“A minha mãe tem mais de 30 anos de experiência e eu sempre a acompanhava em tudo o que ela fazia para tentar fazer igual.”

Mais conhecida como “Pretinha do Sabor”, a empreendedora revela que o sushi é algo que exige várias etapas de preparação.

“O arroz é a base de tudo. É preciso saber escolher um bom arroz que tenha grãos grossos e inteiros e lavar seis vezes até sair a água. Depois, deixar o arroz em água durante meia hora para que os grãos aumentem de volume e de seguida levar ao lume.”

Já o molho é feito separadamente com ingredientes como água, sal e açúcar.

Outra parte essencial é o peixe que é preciso saber escolher um peixe fresco e de qualidade. “É importante ter isso em atenção porque pode afetar a saúde do cliente”, salienta.

Depois de pronto é preciso deixar descansar o arroz antes de começar a temperar.

Segundo Eurídece, os elementos base para fazer o sushi são arroz, água, peixe, mas também produtos como manga, pepino e abacate. “Em relação aos molhos prefiro fazer em casa, excepto o shoyo, para elevar a qualidade do meu produto.”

A confeção final depende da quantidade de ingredientes e pode levar em média 20 minutos, dependendo da escolha do cliente.

Os preços variam desde 1100 escudos para 12 peças a 8000 mil para 100 peças.

Os pedidos são feitos online ou por telefone a partir das 18h00 e as entregas são feitas apartir das 20h30.

Aposta em espaço próprio

A trabalhar a partir do domicílio, Eurídece explica que já tem um espaço no bairro do Palmarejo, que está vai ser inaugurado neste fim de semana.

Chegou a trabalhar com uma pessoa para apoiá-la na confeção do sushi, mas preferiu trabalhar de forma independente.

O processo trouxe-lhe aprendizagens e ensinou a ter paciência, autocontrolo e força de vontade, além de aprender a lidar com as críticas do público.

Para as pessoas que querem ingressar na área, Eurídece diz que “é essencial ter muita força de vontade pois é uma área que ainda está a crescer e que exige que se tenha foco, concentração e responsabilidade”.

Voleibol sempre presente

Eurídece explica que começou a jogar voleibol com a Académica, da ilha de Santo Antão.

“Quando regressei para a ilha de São Vicente, ingressei no Atlético onde joguei por um ano. Depois vim para a cidade da Praia e passei a fazer parte do ABC onde estou atualmente.”

Para a jovem, o voleibol é um desporto que envolve tanto a parte técnica como o coletivo e ainda exige que o atleta seja empático e paciente.

“Houve uma época que não participei no campeonato de voleibol nem participava nos treinos. Posso dizer que não foi bom para a minha carreira. Com o tempo resolvi começar com os treinos até apanhar a rotina de atleta que era no início.”

Treina às segundas, quartas e sextas no Liceu Domingos Ramos e às terças e quintas dedica-se a organizar outros aspetos do dia a dia.

A voleibolista conta que tenta conciliar o trabalho com o desporto, mas que não é algo fácil. “Tento fazer gestão de tempo para conseguir fazer tudo.”

Nádia Pires/Jornalista Estagíaria

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Por Nadia Pires

Jornalista Estagiária