Rosalina Lima: “A pandemia é um grande desafio, mas também uma oportunidade de crescimento e inovação”

Movida pela paixão pela Aloe Vera (conhecida como Babosa), Rosalina Lima, uma jovem empreendedora natural de S. Antão, apostou em 2015 no seu próprio negócio. Surgia assim, ainda Rosalina estava na universidade, em Mindelo, no curso de Gestão e Organização de Empresas, a NaturaBabosa.

“Sentia-me triste quando via que temos tantas plantas medicinais na natureza e que eram quase menosprezadas no mercado nacional”, recorda a jovem que explica que paralelamente sempre quis ter o seu próprio negócio.

Atualmente com 30 anos, a empreendedora lembra que como não tinha recursos financeiros para arrancar com a ideia, resolveu participar no Startup Universitário, um concurso onde acabaria por ficar em terceiro lugar com o projeto NaturaBabosa. Como prémio recebeu uma quantia de 200 mil escudos e o acompanhamento empresarial que lhe permitiu dar os primeiros passos no negócio.

 

No ano seguinte, acabou por investir o prémio monetário numa formação online para aprender técnicas para produzir produtos cosméticos a partir da babosa e não só. Depois começou a fazer testes em casa e quando surgiram as primeiras amostras de produtos como o sabão feito de alecrim, de leite de cabra, e outras matérias-primas locais.

 

Depois começou a oferecer aos amigos e colegas de trabalho algumas amostras para recolher o feedback das pessoas. “Vi que as pessoas estavam a gostar e percebi que tinha uma demanda no mercado”.

 

Quando em 2018 conseguiu um produto mínimo viável, Rosalina Lima resolveu finalmente fazer o registo da sua empresa.

 

No ano seguinte, participou num novo concurso, o Startup Challenge. Ficou novamente em terceiro, o que para Rosalina representou um importante reconhecimento. “Também aprimorei os meus conhecimentos na área de gestão de negócio, identifiquei alguns pontos de melhoria e começaram a surgir alguns parceiros”.

 

Ainda em 2019, a empreendedora conseguiu participar no Programa de Empreendedorismo da Fundação Tony Elumelu, na Nigéria, que lhe permitia obter treinamento e mentoria, bem como estabelecer uma valiosa rede de contactos. Através do programa conseguiu igualmente ter acesso a um financiamento a fundo perdido, o que permitiu à Rosalina apostar em novas linhas de produtos que tenciona começar a comercializar em 2021.

 

Com o aumento da procura, a empreendedora entendeu que precisava de investir num espaço próprio e de contratar pessoas. “O nosso espaço de produção fica em Monte Sossego, em São Vicente”, diz e acrescenta que atualmente emprega mais duas pessoas.

 

Rosalina apostou igualmente na diversificação dos produtos da marca, entre os quais destacam-se o shampoo sólido, óleos diversos (alecrim, rícino, babosa). Atualmente, a marca está presente em cinco ilhas e o objetivo, segundo a mentora, é chegar a todas as ilhas do arquipélago.

 

Além de se dedicar à NaturaBabosa, Rosalina Lima é também formadora e atua como consultora para jovens empreendedores.

 

Desafios que surgiram com a pandemia

 

“A (pandemia da) covid-19 é um grande desafio, mas também uma oportunidade de crescimento e inovação”, defende Rosalina e explica que a empresa apostou no marketing digital e nas entregas a domicílio, até porque alguns revendedores da marca viram os seus espaços fecharem devido à crise.

 

Paralelamente, o objetivo de abrir uma loja física este ano foi adiado, em contrapartida Rosalina diz que a NaturaBabosa vai apostar numa lojinha online.

 

Dentro de um a dois anos, pretende internacionalizar o negócio e expandir para o mercado da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), que “traz grandes oportunidades”, segundo a empreendedora.

 

Incentivar outros jovens

 

“Criei este projeto a partir de uma semente, um sonho que tinha. Batalhei todos os dias e aos poucos vi progressos diários e fui colhendo frutos. Tudo isso é um motivo de orgulho para mim. Hoje temos uma equipa que é apaixonada por este projeto”.

 

No âmbito da responsabilidade social, Rosalina quer estimular outros jovens a persistir nos seus sonhos com o seu testemunho e pretende criar um projeto para ajudar os mais novos a criar o seu próprio negócio.

 

Neste sentido, gostaria de lançar um projeto intitulado “Yes, we can” (Sim, nós podemos), com eventos ligados ao empreendedorismo e uma comunidade de jovens empreendedores, de modo a apoia-los nesta jornada.

 

A partir da sua experiência pessoal, acredita que no caso dos jovens empreendedores, o principal desafio prende-se com a falta de recursos financeiros. No seu caso, os concursos a que se candidatou com o projeto acabaram por ser uma grande mais-valia para cobrir os custos associados à criação de um novo negócio, que exigia formação técnica.

 

Além disso, a empreendedora refere o excesso de burocracia nas instituições. “Há muita inércia das instituições ligadas ao empreendedorismo que poderiam ter um papel mais ativo e estarem mais próximas dos jovens empreendedores. Há muita burocracia, principalmente na hora de formalizar uma empresa (…) muita falta de informação. Há muitos desafios”.

 

Outro aspeto referido por Rosalina está relacionado com os desafios decorrentes da insularidade já que com a irregularidade nos transportes marítimos surgem limitações para colocar produtos em todas as ilhas. “Ficamos à merce dos transportes”.

 

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