Sócios no amor e nos negócios. Casal cabo-verdiano aposta há sete anos em personalização de objetos em suporte de madeira

Em entrevista ao Balai, Kessia Tellez conta que a ideia de negócio surgiu durante a viagem de lua de mel para as Ilhas Canárias dando depois origem à criação de uma empresa de design e personalização de objetos em suporte de madeira em Cabo Verde.

Filha de pai cabo-verdiano e mãe cubana, Kessia Tellez nasceu e cresceu na cidade da Praia, onde atualmente reside com o esposo Vladimir Delgado, que também é seu sócio numa empresa de design e personalização de objetos em suporte de madeira que surgiu há cerca de sete anos. 

A designer de formação revelou que, após concluir o ensino secundário, iniciou os estudos superiores em Engenharia e Desenhos Industriais nas Ilhas Canárias. No entanto, acabou por abandonar a formação e depois estudar Design em Portugal, área que sempre desejou seguir.

Em fevereiro de 2015, ao regressar à capital, Kessia começou a trabalhar numa empresa de Design e Multimédia, onde viria a permanecer por três anos. Entretanto, em 2016, casou-se com Vladimir Delgado e passaram a lua de mel nas Canárias, onde reencontram antigos amigos do curso, que lhes apresentaram uma máquina de esculpir objetos em madeira.

“O meu marido já tinha algum conhecimento sobre essa máquina porque ele frequentou o mesmo curso que eu havia começado anteriormente. Quando os nossos amigos nos mostraram o que a máquina era capaz de fazer, despertou imediatamente o nosso interesse”, conta.

À medida que os dias de viagem passavam, os amigos decidiram apresentar uma proposta de venda da máquina para Kessia e Vladimir, pois estavam prestes a mudar para um outro país.

Com a máquina em mãos, o casal regressou a Cabo Verde e começou a explorá-la. No início, devido à sua linguagem peculiar, a mesma exigiu “muitos testes” por parte de ambos, especialmente de Vladimir, que eventualmente compreendeu o funcionamento e começou a produzir alguns itens.

“Devido à nossa rotina de trabalho, produzíamos apenas à noite. Começamos a fazer peças só para nós e para os nossos amigos, que recomendavam para outras pessoas, até que um dia uma empresa encomendou alguns blocos de notas”, recorda.

Com o passar do tempo, o casal já produzia peças para outros, o que os levou a oficializar o negócio em janeiro de 2017.

“Demoramos muito tempo para escolher um nome, considerando que na época trabalhávamos sempre à noite (sob a luz do luar) e tínhamos uma cadela chamada Luna, que sempre nos acompanhava durante essas horas de trabalho. Decidimos então dar o nome da nossa cadela à empresa”, revela sobre como surgiu o nome Luna Artes.

Em fevereiro do mesmo ano, Kessia e o marido concordaram que ela se dedicaria integralmente ao negócio, enquanto Vladimir continuaria a trabalhar a tempo parcial na empresa.

“Tivemos que sacrificar muito, muitas vezes ficávamos a trabalhar até às 3 ou 4 da madrugada, e entre às 6 e às 7 da manhã ele já estava de pé para ir trabalhar”, lembra.

Inicialmente, o negócio funcionava na residência do casal, onde o quarto foi convertido em escritório e uma área ao lado, que deveria ser uma varanda e área de lazer, tornou-se uma espécie de oficina. Segundo a empreendedora, o espaço era tão pequeno que mal conseguiam lidar com as muitas encomendas, uma situação que durou dois anos até conseguirem mudar para um novo espaço.

Em 2019, a empresa mudou de endereço, mas, meses depois, foram surpreendidos pela pandemia da covid-19. Um contratempo que se transformou em oportunidade, pois passaram a produzir viseiras, que se tornaram a principal fonte de renda.

“Quando o período de lockdown terminou, aumentamos ainda mais a produção das viseiras, o que durante um bom tempo foi a nossa garantia de conseguir lidar com os apertos que passávamos na altura. Tivemos que priorizar o pagamento de salário dos funcionários”, recorda.

A caminho de completar sete anos oficialmente enquanto empresa, a Luna Artes tem uma loja no Palmarejo e conta com pontos de venda em diferentes bairros da capital e regiões da ilha de Santiago devido a parcerias, nomeadamente  Achada Santo António, Fazenda, mas também Tarrafal, Cidade Velha, Assomada e Ribeira Principal. 

Em relação às outras ilhas diz planear expandir-se para a ilha do Sal, São Vicente e Boavista.

“Atualmente, a empresa emprega nove pessoas, incluindo eu e o meu marido, que agora também trabalha a tempo inteiro na empresa”, explica Kessia.

Ao lembrar o início da empresa, a mesma destaca a confiança e a parceria com o marido como fundamentais para o sucesso do negócio.

“Tomar decisões às vezes é difícil e nessas situações sempre recorro ao meu marido para me ajudar, mesmo que eu já tenha uma solução em mente. Acabo sempre por ouvir a opinião dele para ver se realmente devo prosseguir como pensei”, afirma.

“A confiança no que somos capazes de fazer, nos nossos funcionários e acreditar que todos os esforços feitos até agora valem a pena têm sido muito importantes nesta jornada”, conclui.

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