Taíse Mosso Ramos, a neurocirurgiã que encontrou no chocolate uma forma de cuidar

A médica, natural de Santo Antão, é fundadora do projeto Mnandi Chocolates e ambiciona abrir uma fábrica em Cabo Verde para transformar o chocolate produzido no continente africano.

Taíse Mosso Ramos é médica neurocirurgiã, mas há cerca de dois anos decidiu apostar numa paixão antiga: o chocolate. Foi assim que nasceu a Mnandi Chocolates, uma marca artesanal com sabores nacionais.

Em entrevista ao Balai, Taíse conta que a paixão pelo chocolate surgiu ainda durante os estudos no Brasil, onde teve contacto com fábricas de chocolate. Quando vinha de férias para Cabo Verde, trazia moldes e fazia bombons para a família experimentar.
“Não sou uma chocólatra, mas é algo que me fascina”, conta.

Começou a testar receitas e, depois de várias experiências, lançou oficialmente a Mnandi Chocolates em dezembro de 2025, durante uma feira de Natal, na cidade da Praia, que reuniu vários expositores. O nome significa “doce” em zulu.

“É algo que me ajuda a relaxar depois de toda a rotina de trabalho. É uma forma de sair do mundo do hospital, das doenças e da saúde e que me ajuda a desligar”, explica.

Taíse quis desde o início que a Mnandi tivesse uma identidade cabo-verdiana, por isso apostou em sabores como Kamoka, Tambarina e Bissap (hibísco), reunidos na edição Incmenda d´Terra.

No lançamento de Natal, a Mnandi também apostou em sabores como Nutella, nozes e caramelo salgado. Mas os sabores tradicionais acabaram por conquistar o público. “Incmenda d’Terra foi um sucesso.”

O caramelo salgado também ganhou uma versão com um toque local. Taíse adaptou a receita e acrescentou mancarra (amendoim), criando uma combinação que passou a fazer parte da oferta da marca.

A empreendedora também aposta em edições especiais ao longo do ano, tendo já lançado sabores de morango, maracujá, manga, café e, mais recentemente, grogue, criado para celebrar a estreia dos Tubarões Azuis no Mundial 2026.

Para este verão, a promotora da marca quer lançar uma Summer Box (caixa de verão), com sabores de limão, coco, maracujá, tambarina, morango e manga. A apresentação pública acontece no próximo sábado, 5, num restaurante no Largo da Kebra Canela.

Com bombons que custam 150 escudos (cada), a caixa tradicional com seis unidades custa 950 escudos e a caixa premium, com 18 bombons, 2.800 escudos.

Ainda não tem uma loja física e as encomendas são feitas através do Instagram e WhatsApp, mas com o crescimento do negócio, Taíse contratou uma funcionária para apoiar no processo de produção. O namorado e sócio, Randy Cardoso, ajuda na gestão e logística. 

Mas da parte criativa Taíse não abre mão. “É a parte que mais gosto.”

Um chocolate com alma africana

A meta é, no futuro, trabalhar diretamente com o cacau produzido no continente africano. “O objetivo é ser um chocolate cabo-verdiano, mas com alma africana”, afirma.
Atualmente, o chocolate utilizado na confeção dos bombons é proveniente do Brasil. A ideia é, mais adiante, trazer cacau de países produtores, como Gana e Costa do Marfim, e transformá-lo em Cabo Verde.

Os recheios são adquiridos a produtores locais e a empreendedora prefere manter relações com fornecedores já conhecidos, tanto para garantir a consistência na qualidade como para contribuir para a economia local.

“Tenho todos os meus fornecedores bem identificados e isso ajuda também a valorizar a nossa economia”, explica.

Taíse Ramos quer levar Mnandi para outras ilhas, mas reconhece que a expansão exige cuidado, sobretudo no transporte e na conservação dos chocolates.

“Não queremos colocar os bombons em qualquer lugar”, explica, referindo-se à necessidade de garantir que o produto chegue ao consumidor nas condições adequadas.

O calor é outro dos desafios. Lançada em dezembro de 2025, a marca está a enfrentar agora o seu primeiro verão. “Escolher trabalhar com chocolate em Cabo Verde é desafiador”, admite, entre risos.

Segundo a promotora, a marca já começou a dar retorno, e tem recebido encomendas de diferentes pontos do país e do exterior, incluindo Portugal e Bélgica.
“Temos recebido muitas encomendas para enviar para fora do país. O feedback é muito positivo.”

A empreendedora espera que a Mnandi continue a crescer e, nos próximos anos, tornar-se uma fábrica de chocolate em Cabo Verde.

“Daqui a cinco anos gostaria de ter uma fábrica de chocolate, para ver se conseguimos trazer o cacau diretamente do produtor para ser transformado em Cabo Verde”, revela.

“Sou médica, empreendedora e influencer. Penso que há espaço para tudo, sem ser uma supermulher. Tento fazer as coisas que gosto. Realizando os sonhos aos poucos”, finaliza.

Balai Notícias

 

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