Casa Tambor, um projeto ecológico no interior de São Vicente

Localizado em Ribeira de Vinha, em São Vicente, o Casa Tambor é um projeto ecológico que surgiu com o propósito de servir de cenário para um reality show holandês. Com o término do show, o projeto continua a operar na ilha do Monte Cara, sob gestão de uma jovem cabo-verdiana, numa vertente voltada para a hotelaria e restauração.

Natural de Santo Antão, Elisabete Fortes conhecida por Betty, de 33 anos é a atual proprietária do espaço Casa Tambor, na ilha de São Vicente.

 

 

Trata-se de um projeto ecológico e sustentável, onde o alojamento, os móveis e outras estruturas de apoio foram feitos a partir materiais reciclados, nomeadamente, chapas de antigos barris metálicos, apelidados de ‘tambor’ ou ‘bidon’ consoante a variante de crioulo, de containers marítimos e de paletes de madeira.

 

 

“Adquiri o espaço com o conceito já feito, apenas estou a dar continuidade a este projeto, até porque ainda não mudei nada do lugar, exceto algumas cadeiras”.

 

 

Betty explica que o projeto Casa Tambor foi adquirido através de uns holandeses, que participaram de um reallity show, Completely the End, que chegou ao fim em dezembro de 2018 e onde três famílias holandesas viveram em Cabo Verde durante um ano

.

 

As famílias eram acompanhadas por uma equipa de filmagens e as suas experiências eram transmitidas semanalmente pelo canal holandês de televisão RTL.

 

 

“O programa seguiu famílias que deixaram suas vidas na Holanda e mudaram-se para outras partes do mundo para começar uma nova vida lá. No final do ano, as famílias participantes decidiam se continuavam nos países de acolhimento ou voltavam para a Holanda”, lê-se num descritivo sobre o formato.

 

 

Essas famílias receberam um capital inicial e um terreno onde acabaram por criar este projeto.

 

 

A jovem conta que nunca teve experiência na área de restauração e hotelaria antes de assumir o empreendimento e, por isso, afirma que a experiência tem sido um grande desafio.

Desafios derivados da covid-19

 

A maioria dos produtos que os clientes consomem são colhidos numa horta no local. “Sou uma faz tudo aqui: cultivo a horta, preparo os pratos e faço a limpeza. Antes da pandemia tinha três pessoas empregadas, mas por consequência disso fui obrigada a ficar com apenas um funcionário que faz a segurança do local”, explica a proprietária.

 

“Neste momento não tenho investido na divulgação do projeto, devido ao impacto da pandemia de covid-19 que afetou muito o setor do turismo, pois não tem tido um retorno imediato.  Atualmente, o espaço funciona por reserva, na maioria das vezes por pessoas que já têm conhecimento do local, mas mesmo assim o resultado tem sido positivo”.

 

Para a empreendedora o seu maior desafio tem sido o acesso à água e à estrada que liga a cidade ao espaço. “Para ter água no local, tenho que pagar um camião, isso tem um custo elevado e sem contar que a estrada que dá acesso à Ribeira de Vinha é um pouco obstruída”.

 

“De momento o espaço conta com cinco quartos, mas pretendo construir mais sete, todas com o mesmo material, onde que cada um será batizado com o nome das ilhas e dos dois ilhéus Branco e Raso, que constituem o nosso arquipélago”.

 

 

Rosiane Sales/Estagiária

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