Cientistas cabo-verdianos escrevem cartas para inspirar crianças e jovens lusófonos a seguir a carreira científica

foto Facebook Cartas com Ciência

Cientistas cabo-verdianos escrevem cartas para inspirar crianças e jovens lusófonos a seguir a carreira científica

Dezoito cientistas cabo-verdianos, três dos quais residentes em Cabo Verde, fazem parte da iniciativa lusófona Cartas com Ciência, segundo dados dos mentores deste projeto que envolve um total de 500 cientistas de língua portuguesa.

A iniciativa Cartas com Ciência que envolve um total de 500 cientistas de língua portuguesa partiu de dois cientistas portugueses e quer contribuir para que “todas as crianças encarem como uma possibilidade o acesso ao ensino superior e a carreiras científicas”.

“Temos 18 cientistas cabo-verdianos que fizeram a nossa formação e estão na nossa base de dados; destes 7 estão a trocar cartas connosco (…) Temos um total de 500 cientistas de língua portuguesa na base de dados e quase uma centena a trocar cartas. Queremos muito ter mais cientistas de Cabo Verde”.

Keila Lima
Foto cedida

É o caso de Keila Lima (na foto), investigadora cabo-verdiana que trabalha na cidade do Porto, em Portugal, que desde novembro de 2020 começou a trocar cartas, até então foram duas, com uma criança de São Tomé e Príncipe. A jovem de 26 anos tomou conhecimento da iniciativa Cartas com Ciência nas redes sociais e resolveu aderir.

 

“A minha motivação para participar desta iniciativa é retribuir para a comunidade e incentivar mais jovens a investir na carreira científica”, diz a jovem em entrevista ao Balai e recorda que ela própria também beneficiou de um programa de cooperação que lhe permitiu estudar em Portugal, país onde fez o Mestrado em Engenharia de Redes e Sistemas Informáticos e onde há quatro anos trabalha como investigadora no Laboratório de Sistemas e Tecnologias Subaquáticas da Faculdade de Engenharia (FEUP) da Universidade do Porto.

 

Keila Lima que desenvolve o seu trabalho no campo da Marinha Robótica, uma área ligada à recolha de dados no fundo do mar, diz que gostaria muito de fazer algo nesta área em Cabo Verde.

 

A iniciativa Cartas com Ciência surgiu em 2020 pela mão de dois cientistas portugueses, Mariana Alves e o Rafael Galupa, e quer contribuir para que todas as crianças encarem como uma possibilidade o acesso ao ensino superior e a carreiras científicas, e que a língua portuguesa seja considerada uma mais-valia no acesso ao conhecimento, ciência, tecnologia e inovação.

 

“Vamos trocar cartas com crianças da nossa primeira turma em Cabo Verde a partir de setembro, em parceria com a Associação EDUCAR. Temos mais professores de Cabo Verde inscritos e em lista de espera”, explica Mariana Alves ao Balai.

 

A cofundadora adianta que apesar de ainda se estar a medir o impacto da iniciativa cujas primeiras turmas, duas em Portugal, uma em São Tome e Príncipe e uma em Timor-Leste (quase 100 pares estudante-cientista) estão ainda a trocar cartas, tanto os cientistas como as crianças mostraram-se satisfeitos com o projeto.

 

“Todos os professores envolvidos no programa de troca de cartas manifestam extrema satisfação e reações entusiásticas dos estudantes, especialmente ao abrirem as suas cartas. Para 89% destes alunos, foi a primeira vez que “conheceram” um(a) cientista, e para 54% foi a primeira vez que escreveram ou receberam uma carta. Cientistas que trocaram cartas descrevem a experiência como “gratificante” (80%) e “divertida” (72%)”.

 

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest

Pode gostar também

Deixe um comentário