Emigrante investe na área de hotelaria e restauração em zona histórica do Platô

Há 21 anos a viver nos EUA, à semelhança de outros conterrâneos nos Estados Unidos, a cabo-verdiana Nicole Correia resolveu investir num negócio local na cidade da Praia, sua terra natal. Assim, em dezembro de 2020, surgia o Techa’s Place, no coração da capital, na zona histórica do Platô.

Formada em Psicologia, Nicole Correia trabalha na área de Finanças nos Estados Unidos. Conta que sempre desejou investir em Cabo Verde. “Sempre quis investir na área de hotelaria e restauração em Cabo Verde”.

 

“Queria um espaço onde poderia alugar quartos e abrir um restaurante, após procurar noutros lugares, recomendaram-me este. Achei o espaço perfeito”, diz a emigrante. No segundo piso arrenda apartamentos e no rés-do-chão funciona o restaurante que foi inaugurado em maio deste ano.

 

A promotora do espaço explica que decidiu dar ao lugar o nome de “Techa’s Place” em homenagem à mãe e à filha. “Considero-as mulheres fortes e guerreiras, ambas se chamam Teresa e em casa habituamo-nos a tratar a minha mãe de Techa, daí o nome Techa’s Place”.

 

Quem entra no Techa’s Place depara-se com uma decoração acolhedora e moderna. Um teto decorado com guarda-chuvas chama a atenção logo à entrada no corredor que dá acesso ao espaço das refeições, situado numa cave cujas paredes em pedra são decoradas com quadros com frases diversas.

“Todos os anos, no mês de junho, vou ao Canadá, gosto muito da decoração com guarda-chuvas em Quebec e resolvi trazer este embelezamento para cá, também coloquei alguns quadros com frases motivacionais de modo a trazer um ambiente positivo onde as pessoas podem sentir-se acolhidas”.

 

O seu maior desafio foi conseguir todos os documentos legais para a abertura do espaço e obter um menu profissional. “Isso dificultou um pouco a abertura do espaço e também tive dificuldade em encontrar alguém que pudesse fazer um menu profissional a tempo. Até hoje estamos à espera desse menu”.

 

Acabaram por dar a volta à questão e, segundo a proprietária, hoje tem um cardápio variado. “Temos desde pratos típicos de Cabo Verde a pratos americanos. O que os nossos clientes mais gostam são os pratos de peixe confitado e o Iced latte (café gelado)”.

 

O feedback do público tem sido positivo. “As pessoas dizem que gostaram do espaço, da decoração, dos pratos, do atendimento e espero que continue sempre assim”.

 

Binde com história

 

Quem entra na sala do restaurante depara-se com um binde de dimensões consideráveis. O binde era do avô de Nicole, um emigrante que dava pelo nome de Domingos Ramos, que resolveu voltar ao país de origem e ajudar as pessoas mais necessitadas na zona de Ribeira Riba, na ilha de Santiago.

 

“O meu avô viveu 26 anos nos EUA, depois decidiu voltar definitivamente para a sua terra natal. Então, em 1947, que foi uma época marcada pela fome em Cabo Verde, ele resolveu construir este binde e passou a fazer cuscuz diariamente para alimentar as pessoas que não tinham o que comer”.

 

ARTIGO ATUALIZADO ÀS 15H20 DE 14/07

 

Rosiane Sales/Estagiária

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