“A incidência da dengue tem vindo a duplicar nos últimos 20 anos”, alerta representante do Escritório Conjunto da ONU em Cabo Verde

David Matern salientou que os números a nível mundial “ são alarmantes e exigem uma resposta firme e cooperativa”.

O Representante Residente do Escritório Conjunto da PNUD, UNICEF e UNFPA em Cabo Verde, David Matern, afirmou que a “nível mundial a dengue tem vindo a propagar-se com facilidade, devido às alterações climáticas” mas que a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem priorizado as estratégias ao combate desta doença. A informação foi avançada nesta quarta-feira 13, na cidade da Praia, durante a conferência de imprensa sobre o combate à dengue no país convocada pelo primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.

“A nível mundial, a dengue tem vindo a propagar-se rapidamente, com a incidência a duplicar nos últimos 20 anos, impulsionada pelas alterações climáticas que criam condições mais adequadas à propagação do mosquito transmissor”, afirmou Matern, que salientou que até agosto deste ano, foram reportados mais de 12,3 milhões de casos a nível mundial, em comparação com os 6,5 milhões de casos do ano passado.

O representante do Escritório Conjunto da PNUD, UNICEF e UNFPA reforçou que “estes números são alarmantes e exigem uma resposta firme e cooperativa” e que a OMS tem enfatizado a importância de estratégias integradas no controlo de doenças como a dengue, zika e chikungunya, que representam “uma ameaça crescente à saúde pública” e às condições socioeconómicas.

A mesma fonte afirmou que a luta contra a dengue exige uma resposta concertada, estratégica e multissetorial, envolvendo governos, organizações internacionais, sociedade civil e comunidades, e que em Cabo Verde, a OMS, o UNICEF e o PNUD têm trabalhado em estreita colaboração com o governo, a nível nacional e municipal, para fazer face a esta emergência.

Sublinhou que desde o início deste surto, a OMS tem mobilizado assistência técnica, com a presença de especialistas em entomologia, laboratório e epidemiologia, além de recursos financeiros para reforçar as medidas de resposta das autoridades.

“Devemos continuar a educar, sensibilizar e capacitar as pessoas para a eliminação dos locais de reprodução do mosquito, a promoção de boas práticas de higiene e o acesso rápido aos cuidados de saúde”, afirmou e reforçou a necessidade da comunidade ter percepção dos riscos e das medidas a adotar, tendo em conta que a prevenção e o controlo da dengue “são uma responsabilidade partilhada e todos são chamados à ação”.

Por fim, David Matern assegurou que as Nações Unidas mantêm “o compromisso e engajamento em continuar, ao lado do governo, das instituições e da sociedade cabo-verdiana, nesta luta contra a dengue”.

Praia com maioria dos casos

Presente na conferência, a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública(INSP), Maria da Luz Lima, fez o enquadramento da situação da pandemia em Cabo Verde, salientado que a maioria dos casos 65,4%, estão na Praia, seguido de São Felipe, depois de Santa Cruz e Mosteiros.

“Em 2009 tivemos a primeira epidemia que terminou em meados 2010, depois tivemos um surto entre 2016 e 2017, que foi localizado aqui na Praia e desde novembro de 2023 foram notificados os caso de dengue, iniciando uma nova epidemia, inicialmente nos concelhos da Praia e São Filipe e atualmente em todo o país”, explicou a representante do INSP.

Maria da Luz Lima reforçou que, desde o início da epidemia, várias ações foram implementadas pelo Governo, incluindo a criação de um força tarefa de atuação, a ativação do Conselho Nacional de Proteção, a comunicação da Vigilância Epidemiológica, a elaboração de políticas, bem como a aquisição de kits de testes rápidos, que estão distribuídos e de acesso gratuito a toda a população, o seguimento próximo de casos internados, a comunicação de riscos, entre outros.

De recordar que o primeiro-ministro Ulisses Correia e Silva garantiu hoje que “Cabo Verde continua a ser um país livre do paludismo”, após confirmar duas mortes por paludismo no Hospital Agostinho Neto (HAN).

O Chefe do Governo convocou a imprensa para fazer uma comunicação ao país no âmbito do combate à epidemia da dengue que tem assolado o país, contou com a presença de entidades nacionais, nomeadamente a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, Ministra da Saúde, Filomena Gonçalves, Representante dos Escritórios Conjuntos da PNUD, UNICEF e UNFPA em Cabo Verde, David Matern, o Ministro da Agricultura e Ambiente, Gilberto Silva, entre outros.

 Cátia Lopes (estagiária)

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