AAC preocupado com incidentes entre aves e aviões nos aeroportos

Os aeroportos nacionais registaram 24 colisões entre aves e aeronaves (‘bird strikes’) em 2021, segundo um relatório da Agência de Aviação Civil (AAC) compilado hoje pela Lusa, classificando a situação como de “séria preocupação”, sobretudo na capital.

De acordo com o relatório de regulação de 2021, concluído recentemente pela agência reguladora do setor, “o significativo número das ocorrências relacionadas com presença de pássaros nas imediações dos aeroportos” notificadas no ano passado “constitui uma séria preocupação para as entidades ligadas à aviação civil em Cabo Verde”.

A situação, lê-se ainda, é “agravada pelo facto de terem ocorrido em ano de baixa nas operações aéreas e aeroportuárias, originada pela pandemia covid-19 e pela suspensão das operações da TACV [voos internacionais] e da TICV [domésticos]”.

“Impõem a adoção das medidas para a sua redução no sentido de melhorar o nível da segurança operacional”, defende o relatório da AAC.

De acordo com o documento, as 30 ocorrências do ano 2021 relacionadas com pássaros nas imediações dos aeroportos comparam com 22 em 2020. Entre as registadas em 2021, um total de 24 são devidas a ‘bird strike’ (contra oito em 2020), quatro casos devido aproximação falhada ou ‘Go around’ e dois devido a descolagem rejeitada ou ‘Rejected Takeoff’, “na sequência da presença dos pássaros”.

Aproximadamente 90% das ocorrências relacionadas com os pássaros foram registadas no Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na cidade da Praia, acrescenta-se no documento.

“A AAC está a tomar medidas orientadas para minimização dos riscos associados a possíveis incidentes e, em casos mais graves, a acidentes, provocados pela presença de aves nos aeroportos e imediações. Por outro lado, a AAC tem desenvolvido as ações de sensibilização sobre a problemática de vida animal nas imediações dos aeroportos”, refere-se ainda.

As autoridades cabo-verdianas iniciaram no final de julho último inquéritos a criadores de animais na envolvente do aeroporto da Praia, ao abrigo do programa para travar incidentes entre aves e aeronaves, cinco dos quais afetaram a portuguesa TAP em 2021.

De acordo com fonte do Instituto de Prevenção e Investigação de Acidentes Aeronáuticos e Marítimos (IPIAAM) de Cabo Verde, as ações decorrem ao abrigo do programa “Bird Safe”, de segurança de voos e proteção da vida e os inquéritos aos criadores de aves e gado visam “melhor resolver o problema da presença da vida animal junto dos aeroportos, pelo perigo que representa para as operações aéreas e que põe em risco a vida humana”.

Os trabalhos no terreno vão abranger diversas zonas circundantes ao aeroporto da Praia, com o objetivo de “fazer o levantamento dos criadores de gado e aves e a identificação das espécies existentes e predominantes”, bem como “conhecer as condições em que estas atividades são praticadas”.

O objetivo é “perceber as possíveis soluções a adotar e a sua disponibilidade em colaborar com as instituições”, explica o IPIAAM, que coordena o plano de ação “Bird Safe”, em conjunto com outras entidades cabo-verdianas e que prevê um ano para desenvolver e realizar atividades para a consciencialização da população e das instituições sobre o “respeito da prevenção de incidentes, promover a mudança de comportamentos”.

Desde pelo menos meados de 2021 que são vistas nas imediações da pista do aeroporto da Praia equipas de trabalhadores aeroportuários a afastarem bandos de aves, enquanto no perímetro exterior é habitual a presença de dezenas de cabeças de gado a pastar, que por sua vez atraem esses bandos de aves.

“O IPIAAM, através desta iniciativa conjunta, almeja alcançar resultados mais eficazes e de maior alcance, na mitigação do risco que a presença frequente de vida animal no entorno aeroportuário representa para a segurança operacional e em prol de uma cultura de segurança no setor da aviação civil”, destaca a fonte.

Aviões da companhia aérea portuguesa TAP sofreram cinco incidentes com aves no aeroporto da Praia em 2021, mas a presidente da companhia admitiu em março último que as medidas adotadas pelas autoridades cabo-verdianas melhoraram a situação.

“Este ano, até agora [2022], a situação está a ser completamente diferente relativamente a incidentes”, afirmou a presidente executiva da TAP, Christine Ourmières-Widener, questionada pela Lusa à margem de uma visita que realizou em março à capital cabo-verdiana.

Embora sem detalhar, Christine Ourmières-Widener reconheceu que após um “diálogo construtivo” entre o regulador do setor aeronáutico e a administração do aeroporto da Praia foi possível constituir uma “ligação direta” e aplicar medidas de mitigação desta situação.

Cabo Verde tem quatro aeroportos internacionais, nas ilhas de Santiago, do Sal, da Boa Vista e de São Vicente, e três aeródromos, nas ilhas de São Nicolau, Maio e Fogo, todos operados pela empresa pública ASA.

 

Lusa

 

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