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Durante a deslocação à ilha, após visitar o local do acidente, Francisco Carvalho afirmou que, neste momento de dor e consternação, a prioridade do Governo é prestar solidariedade às famílias das vítimas e assegurar o apoio necessário às pessoas afetadas.
“Viemos ao Fogo para trazer um abraço de solidariedade para as famílias, para todos que estão a ser afetados”, afirmou, considerando que este é, antes de mais, um momento de “abraço, aconchego e amparo”.
O chefe do Governo garantiu, entretanto, que o acidente não será ignorado e que o Executivo vai analisar as condições relacionadas com a construção, avaliação e fiscalização das estradas em Cabo Verde.
“É evidente que a construção de estradas nos interpela a todos. Conhecemos o processo e sabemos como as coisas acontecem nesta terra, sabemos qual é o lugar da avaliação e da fiscalização que ocupa na sociedade cabo-verdiana. O que falta é agir e tomar medidas concretas e vamos fazê-lo”, declarou.
Francisco Carvalho anunciou que o Instituto de Estradas deverá deslocar-se ao local do acidente para avaliar as condições da via e as circunstâncias da ocorrência.
“Este acontecimento não passa de forma nenhuma em branco. Não viemos ao Fogo só marcar presença”, afirmou, acrescentando que a situação “interpela a todos nós de forma profunda e responsável”.
Segundo o primeiro-ministro, a análise deverá abranger factores como a orografia, as características da estrada, o percurso e as condições de mobilidade, entre outros elementos que possam contribuir para compreender o sucedido e prevenir novos acidentes.
“Muitas estradas em Cabo Verde têm muitas curvas e esta questão estamos a tomar notas, ouvir, observar para refletir e posicionar com serenidade, mas de forma rápida”, disse.
Francisco Carvalho defendeu que a actuação do Governo deverá passar por “agir, corrigir, antecipar e prevenir”, garantindo que os diferentes aspectos relacionados com a segurança rodoviária serão considerados no processo de avaliação.
Questionado sobre a possibilidade de construção de um marco no local do acidente, em memória das vítimas, o primeiro-ministro afirmou que Cabo Verde é um país que valoriza e respeita a memória.
Reiterou, contudo, que o momento imediato é de dor e solidariedade para com as famílias, descrevendo o cenário provocado pelo acidente como “inimaginável” e de “tristeza profunda”.
“Hoje é dia de dar abraço à família, porque o momento é de grande consternação”, afirmou, assegurando que, posteriormente, o Governo deverá avançar com uma reflexão mais abrangente sobre as condições de segurança rodoviária no país.
Francisco Carvalho explicou que o Governo já tinha assumido, em Conselho de Ministros, o compromisso de abordar de forma “séria” as questões relacionadas com a protecção civil, sublinhando que a criação de uma rede nacional de ambulâncias constitui apenas uma parte dessa estratégia.
“Uma rede nacional de ambulâncias é um detalhe de uma abordagem maior em termos de protecção civil”, afirmou o primeiro-ministro, criticando a atenção excessiva dada à questão das ambulâncias.
Segundo o chefe do Governo, o plano prevê uma rede de ambulâncias adaptada às especificidades de cada situação e à orografia das diferentes ilhas, bem como uma rede de bombeiros equipada com viaturas de diferentes tipologias, de acordo com as necessidades de cada território.
A estratégia contempla ainda a disponibilização de materiais de desencarceramento, equipamentos adequados para os profissionais de protecção civil e o reforço da formação e do treino das equipas.
Francisco Carvalho defendeu que Cabo Verde precisa de uma resposta integrada para as diferentes situações de emergência, tendo em conta as características geográficas do país.
“O que vamos fazer é uma abordagem profunda e não colocar remendos”, sublinhou, acrescentando que o objectivo é resolver os problemas de forma estrutural e criar condições para melhorar a resposta da protecção civil.
O acidente ocorreu na noite de sábado, quando um autocarro que transportava alunos regressava de um passeio e saiu da estrada, caindo de uma altura de cerca de 30 metros, na localidade de Campanas de Cima, no município de Santa Catarina do Fogo.
A maioria das vítimas são crianças e jovens.
Inforpress

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