ACOLP quer maior “dignidade” na comemoração do 5 de julho e questiona falta de programas sobre o tema na Televisão Nacional

A Associação dos Combatentes da Liberdade da Pátria quer maior dignidade na comemoração do 5 de Julho e questiona a falta de programas na televisão nacional com temas ligados à luta de libertação, independência e até 13 de Janeiro.

Manuel Pereira Silva fez essas considerações em declarações à Inforpress, no âmbito da última sessão cinematográfica da Semana da Independência, promovida pela Presidência da República e cuja exibição final recaiu sobre o documentário “Canhão de Boca”.

“A iniciativa foi boa, o problema foi as instituições que não souberam responder a essa expectativa do Presidente da República. Estou aqui não como combatente da pátria, mas como cidadão e sinto-me magoado com a indiferença que passou o 5 de Julho na cidade capital”, disse.

Manuel Pereira Silva, que considera “grave” esta atitude, chamou a atenção dos poderes políticos no sentido de verem o que deve ser feito para se assinalar o dia da independência nacional, visto que se trata de uma data que toca a todos os cabo-verdianos.

O primeiro apelo do presidente da ACOLP vai para o sector da educação, indicando a falta que faz um manual para o ensino da História de Cabo Verde. O responsável lembrou a proposta do historiador Daniel Pereira nesse sentido, mas que foi colocada na gaveta.

“Canhão de Boca” é um documentário sobre a participação da mulher no processo da Independência Nacional, realizado por jovens cabo-verdianos e que relata a luta de libertação da Guiné-Bissau e Cabo Verde, e a expressão usada pelo Amílcar Cabral para se referir à Rádio Libertação como arma mais poderosa do que todo o arsenal de guerra que pudessem possuir.

A partir da experiência cabo-verdiana e com um olhar sobre o mundo, o documentário “Canhão de Boca” fictícia um programa de rádio com Amélia Araújo, uma das vozes da Rádio Libertação que deu corpo aos programas de difusão dos ideais da luta entre 1964 e 1973.

A Rádio Libertação foi utilizada pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) para difundir as ideias durante o conflito que o opôs ao Exército português na luta pela independência

Após a exibição do documentário, o evento contou com momento de comentários com Teresa Araújo, filha da combatente da liberdade da pátri, Amélia Araújo; a investigadora Celeste Fortes, um dos elementos envolvidos na realização do filme de Ângelo Lopes, e combatentes da liberdade da pátria.

“Canhão de Boca” é um filme de 52 minutos que foi premiado como melhor documentário no festival Oiá 2017 (Mindelo) e recebeu menção honrosa no Plateau – Festival Internacional de Cinema da Praia, também em 2017.

Inforpress

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