Analistas defendem declaração de estado de guerra em Cabo Delgado

Em meio a combates em torno da vila de Palma, na província moçambicana de Cabo Delgado, alguns analistas dizem que o impacto sócio-económico justifica a declaração do estado de guerra na região, mas outros consideram que o importante é o Governo aceitar outras experiências na luta contra o terrorismo.

A violência armada em Cabo Delgado arrasta-se há cerca de três anos, com milhares de vítimas mortais e deslocados internos, o que para o professor Inácio Alberto, “já é motivo suficiente para se declarar um estado de guerra”.

 

“O Governo já decretou estados de emergência e de calamidade por causa da Covid-19, que matou um pouco mais de 700 pessoas, mas em Cabo Delgado, o número de mortos pela violência é superior a mil, e o Executivo não declara estado de guerra, até parece que Cabo Delgado não é Moçambique”, realçaaquele professor.

 

No seu entender, um estado de guerra permitiria uma maior protecção das comunidades residentes em zonas afectadas pelo conflito.

 

“É preciso uma maior proactividade nesta questão da luta contra o terrorismo em Cabo Delgado”, defende, por seu turno, Renato Malega, para quem “já perdemos tempo, os agressores ganharam espaço e até a simpatia de alguns moçambicanos”.

 

Para o jurista José Machicame, um estado de guerra, eventualmente, faria com que fosse mais fácil mobilizar as Forças de Defesa e Segurança (FDS) e recursos para fazer face a este conflito.

 

Entretanto, o analista Julião Arnaldo entende que o objectivo do recente ataque à vila de Palma visa inviabilizar o desenvolvimento do projecto de gás natural liquefeito na bacia do Rovuma.

 

“Penso que o sinal que se pretende transmitir é de insegurança permanente e que Moçambique não é local apropriado para um investimento desta envergadura”, afirma aquele analista.

 

Refira-se que, pela primeira vez, as acções das FDS incluiram a operação de resgaste de civis para zonas seguras, segundo o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional, Omar Saranga.

 

VOA/Fim

Uma coluna de 17 veículos deixou o local na sexta-feira em direcção à praia e foram emboscados.

 

Dos 17 veículos apenas sete chegaram ao seu destino e houve várias vitimas entre os estrangeiros naquilo que foi descrito “um desastre completo”.

 

Uma fonte disse que nos sete veículos que conseguiram chegar à praia “houve sete mortos confirmados” com alguns feridos.

 

“Os outros dez veículos nunca conseguiram chegar e presume-se que todos tenham morrido”, disse uma das duas fontes a que a VOA teve acesso.

 

“Isso é provavelmente entre 40 a 50 expatriados”, acrescentou.

 

Embarcações que teriam tentado aproximar-se da costa teriam sido atacadas com fogo de metralhadoras e morteiro.

 

A agência noticiosa AFP havia noticiado que mais de 180 pessoas, incluindo trabalhadores expatriados, encontravam-se encurraladas dentro de um hotel em Amarula com esse mesmo nome citando denúncias de trabalhadores e fontes de segurança.

 

As fontes disseram que no ataque a Palma participaram centenas de rebeldes de posse de “novas armas” que mostraram grande coordenação.

 

Dias antes do ataque os rebeldes teriam infiltrado vários dos seus combatentes na cidade.

 

Um barco com mais de 1.500 pessoas encontra se entretanto ao largo de Pemba.

 

A companhia petrolífera Total decidiu entretanto, pela segunda vez, retirar o seu pessoal do projecto de gás mantendo apenas “o mínimo estrito da força de trabalho em Afungi”.

 

Últimas informações dizem que os rebeldes se retiraram entretanto de Palma e que a situação de novo calma nessa cidade.

 

VOA/Fim

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