Angola deve abandonar o português como única língua de ensino, defende especialista

Um especialista e professor universitário angolano, Manuel Afonso, defendeu que se abandone o português como “única língua de ensino”.

O professor falava sobre a necessidade de aplicarem reformas profundas ao sistema de ensino angolano, afirmando que esse reforma deve ser uma política de estado e não somente restrita a cinco anos de governo “de modo a que se possa garantir que essa política de estado possa ser continuada por qualquer outro partido que venha a constituir governo”.

Essa reforma educativa deveria partir pela actualização e adequação da própria lei de base do sistema de educação e ensino particularmente nos artigos 16 e 105 que tratam sobre a língua de ensino e o currículo respectivamente”, disse.

“Hoje para mim não faz sentido continuarmos a ter a língua portuguesa como sendo a única língua de ensino”, acrescentou Mnuel Afonso para quem “é necessário que se abra espaço para que as nossas línguas locais possam ser utilizadas como instrumentos de ensino, avaliação e aprendizagem numa perspectiva de respeito à nossa rica diversidade cultural”.

O ano lectivo de 2022/2023 em Angola conta com 15.000 novos professores, 500.000 alunos matriculados pela primeira vez no ensino primário e 670 novas infraestruturas de ensino.

Especialistas avisam que embora se continuem a registar problema nos antigos ligados ao ensino em Angola há que corrigir o vícios das políticas públicas para o sector do ensino de moda a evitar a ameaça que é a falta de qualidade no ensino.

Esses especialistas dizem que tem que haver uma nova reforma no sistema de educação.

O psicopedagogo Alcides Chivango chama atenção das autoridades angolanas para as fraquezas das políticas de formação de quadros. 

  “O que é que está a faltar em nós? Talvez sejam estratégias, a planificação. Veja algo triste que está a acontecer agora, o ano lectivo 2022 começou mas os alunos ainda não têm livros. Isto impede a preparação das aulas”, assinalou o também professor universitário. 

 É no sector da educação onde se reflecte o tipo ideal de cidadãos que o Estado pretende para sociedade, diz o académico Manuel Saihulo que diz que o professor entende que pano académico 2022/2023 vai continuar com os mesmos problemas devido a baixa dotação orçamental do sector no OGE. 

  “Um dos velhos problemas é a importação de quadros para responder desafios tão minúsculos que os angolanos deveriam assumir e garantir o almejado desenvolvimento económico e social para o nosso país”, disse.

“É preciso criar uma política nacional de valorização da educação que faça com que todos os actores possam olhar para este sector com muita responsabilidade e com o devido impacto que mereça para o país”, afirmou. 

Sobre o que deve ser melhorado na educação, Manuel Saihulo pede que sejam revistas as políticas de valorização dos quadros, uma vez que as condições de trabalho e o salário que se aufere não confere ao professor alguma dignidade. 

  “O nível de marginalização e desvalorização deste sector é tão elevado que faz com que até os próprios professores que ainda têm alguma esperança de que as condições de trabalho venham a melhorar, demarcam-se desta responsabilidade movendo para outros órgãos ministeriais que eventualmente estejam a responder melhor os desafios que os profissionais enfrentam”, disse

Ouça a reportagem aqui

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