Angola: “Há provas de que é necessário corrigir mandatos”, diz líder da UNITA

Adalberto da Costa Júnior falou à imprensa à saída do funeral de José Eduardo dos Santos e voltou a frisar que dados eleitorais da UNITA “atribuem muito mais mandatos” ao seu partido.

Adalberto Costa Júnior falou aos jornalistas após prestar homenagem ao ex-Presidente angolano, este domingo (28.08), na Praça da República, em Luanda, reconhecendo ter sido uma decisão difícil a de se deslocar ao local.

“Achámos que devíamos estar presentes no sentido de prestar homenagem ao ex-presidente da República. Não foi uma decisão fácil, dado o facto de termos aqui chegado com tanta falta de tranquilidade e ausência de uma parte da família, assistimos a uma cerimónia com alguns excessos partidários, não me parece que coubessem aqui as mensagens dos partidos políticos”, comentou o líder da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

Durante as cerimónias fúnebres, foram lidas mensagens da família e de várias entidades, incluindo da vice-presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido de José Eduardo dos Santos.

“Quando se trata do Estado, o Estado deve representar-nos a nós todos e estes ainda são os desafios que Angola tem pela frente, mas independentemente disso fizemos bem em vir até cá”, complementou.

Resultados eleitorais

Questionado pelos jornalistas sobre as recentes declarações da Comissão Nacional de Eleições, o presidente da UNITA afirmou que “há provas de que é necessário corrigir mandatos”, garantindo que qualquer posição do partido relativamente ao resultado das eleições angolanas será formalmente provada.

“Há provas de que é necessário corrigir mandatos, mas não terminámos a contagem. Nesta matéria temos de estar tranquilos, não devemos tomar posições em nada que não seja provado. Tudo o que viermos a fazer será formalmente provado, esperamos o mesmo das instituições e do MPLA”, disse Adalberto Costa Júnior.

Segundo o líder da UNITA, foram formalizadas nas comissões provinciais eleitorais reclamações nos casos em que “os resultados não estão conforme”.

“Penso que é em função disso que ontem o porta-voz da CNE afirmou que iriam rever os mandatos”, continuou.

No sábado, o porta-voz da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) declarou ao jornalista que estavam a ser analisados os relatórios sobre votos reclamados ao nível das comissões provinciais eleitorais e só depois de todas as informações haveria resultados definitivos.

“É sempre possível que, em função da magnitude do número de votos reclamados possam ocorrer algumas alterações”, salientou.

A UNITA contestou na sexta-feira uma possível vitória do MPLA e está a desenvolver uma contagem de votos paralela, com base nas atas síntese provenientes das 18 províncias do país.

“Estamos a trabalhar com atas da CNE, a CNE pode recusar eventualmente a revisão dos mandatos, mas não me parece que o vá fazer”, frisou o líder da UNITA, assinalando que o porta-voz da CNE afirmou que iriam verificar e assumir eventual correção dos mandatos.

“Os dados que nós temos atribuem-nos muito mais mandatos e esses obviamente vão ser retirados ao MPLA, a nossa cotagem não terminou”, sublinhou, lembrando que os dados conhecidos até agora são os dados da CNE.

“Estamos tranquilos, a fazer o que temos de fazer e só podemos esperar que seja escrupulosamente respeitado o voto depositado nas urnas”, salientou o dirigente.

Adalberto Costa Júnior afirmou ainda que se vai conformar com os resultados das atas.

“A partir da altura em que aceitamos participar no jogo vamos ter de nos conformar com o que as atas nos indicarem, vamos ter de cingir-nos aos resultados que as atas nos conferirem”, garantiu.

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