Apesar dos avanços existe ainda um “grande défice” na compreensão do papel das figuras maternas e paternas – ICCA

A presidente do ICCA afirmou que apesar dos avanços legislativos há ainda um grande défice na compreensão do papel das figuras maternas e paternas na construção da identidade, desenvolvimento psicossocial e proteção dos direitos das crianças.

Zaida Freitas fez esta afirmação na abertura do “Encontro de Reflexão sobre os Contributos das Mulheres para a Proteção de Crianças e Adolescentes em Situação de Risco e/ou Perigo” realizado pelo Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) em parceria com o Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG).

O evento insere-se nas comemorações do “Maio – Mês da Família” e teve como propósito discutir possíveis soluções e caminhos para prevenir e resolver problemas como negligência, maus-tratos, abuso e violência sexual, trabalho infantil, comportamentos desviantes, entre outros.

Segundo a presidente do ICCA, as práticas familiares no país demonstram que a mãe é a principal cuidadora das crianças, tendo realçado que os dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE) mostram que a maioria das crianças e adolescentes vivem apenas com a mãe.

“A assunção plena da parentalidade, sobretudo, da paternidade, constitui ainda um grande desafio em Cabo Verde. Apesar dos avanços em termos legislativos, há ainda um grande défice na compreensão do papel das figuras maternas e paternas na construção da identidade, desenvolvimento psicossocial e protecção dos direitos das crianças”, lamentou.

Para esta responsável, mudar este cenário exige uma “profunda reflexão” sobre as atitudes, normas sociais, e comportamentos em relação aos papéis de género em diversas vertentes.

Isto tendo em conta que, conforme sublinhou, o  passado histórico recente remete para configurações familiares em que o modelo de pai reflectia-se no controlo e na autoridade no seio da família, e reservava à mãe as tarefas domésticas, incumbindo-se de tratar da educação dos filhos.

Entretanto, realçou que nas últimas décadas as mulheres cabo-verdianas passaram a assumir cada vez mais responsabilidades profissionais fora de casa, não se verificando, no entanto, um aumento significativo da participação dos homens na esfera doméstica e na criação dos filhos.

“Devemos ter presentes que ser pai ou mãe não é apenas ser o provedor para colmatar as necessidades de sustento das crianças, tão importante ou mais é o acompanhamento, orientação, aconselhamento e as demonstrações de afecto”, alertou.

Pois, acrescentou, não se pode restringir a parentalidade à gestação e ao nascimento de um filho, já que, sustentou, as identificações feitas na infância influenciam e determinam a forma como cada um poderá exercitar a parentalidade.

O acto foi presidido pela secretária de Estado da Inclusão Social, Lídia Lima, que elencou um conjunto de políticas sociais, que vêm sendo desenvolvidas pelo Ministério da Família, com vista ao empoderamento das famílias

“Portanto, a nossa preocupação maior é a integração das crianças no ambiente escolar, é a satisfação das suas necessidades básicas, e com isso desenvolvemos políticas, quer para proteger os direitos das crianças, como também para reforçar e moderar as famílias que cuidam das suas crianças”, sublinhou.

Inforpress

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