Assistente social cabo-verdiana no Reino Unido lidera grupos de trabalho e projetos sociais

 A cabo-verdiana Manuela Cardoso, assistente social na área Internacional e Proteção de Crianças e Famílias, tem liderado ao longo de mais de 20 anos, vários grupos de trabalho e projetos sociais em Londres, Reino Unido.

À Inforpress em Lisboa, Manuela Almeida Cardoso, natural da Cidade da Praia, filha de imigrantes cabo-verdianos, disse que teve que juntar-se “à jornada de emigração” para Portugal ainda criança, em 1975, onde viviam os seus pais.

Os mesmos, segundo ela, foram um dos primeiros residentes do bairro da Pedreira dos Húngaros ou Miraflor, como é “mais conhecido esta comunidade de bairro de lata em Portugal”, onde passou toda a sua infância e juventude, até decidir rumar para o Reino Unido no início de 1990, tendo completado os seus estudos superiores em Inglaterra e Estados Unidos da América (EUA).

“A minha profissão é na área de Assistência Social Internacional e Proteção de Crianças e Famílias, com mais de 20 anos de carreira, trabalhando em vários concelhos em Londres e liderando grupos de trabalho e projetos sociais”, contou.

A santiaguense explicou que, presentemente”, lidera uma equipa de assistentes sociais, assim como profissionais da área de saúde, educação e polícia, trabalhando com “jovens em risco de abuso por outros, escravidão moderna e tráfico humano”.

“Esse trabalho exige uma especialidade na área de Direitos Humanos, sociologia, psicologia, política social e bem-estar social”, afirmou, acrescentando que neste momento trabalha também com projetos e associações dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP), continuando a apoiar as comunidades e “criar uma maior visibilidade e união dessas comunidades no Reino Unido”.

Por outro lado, Manuela Cardoso contou que tem uma outra ocupação, que é de escritora, tendo concretizado o sonho de lançar o primeiro livro em Agosto, com o nome de “Pedreira dos Húngaros”, explicando que apesar de já escrever desde os seus 14 anos, foi esta a altura que se sentiu preparada para seguir com uma publicação oficial, acreditando ser “um momento marcante” na sua vida.

“O meu trabalho é muito importante para mim e dedico-me muito a ele, mas as minhas grandes paixões, que gosto de dedicar todo o meu tempo livre, para além da minha família, é conhecer novas pessoas e culturas e ter novas experiências, seja através de viagens ou através da participação ativa em atividades de associativismo e da nossa comunidade”, frisou.

Conhecida por vários nomes, devido a “diferentes circunstâncias da vida”, nomeadamente “Nela de Lala de Boca Larga e Paiol, Nela de Miraflor, irmã de Russo e Manuela Cardoso e escritora e assistente social”, a cabo-verdiana esclareceu que o livro que escreveu conta a história da comunidade do bairro dos Húngaros, uma “área abandonada” entre Miraflores, Algés, e Linda-a-Velha, no concelho de Oeiras.

“Este bairro que foi descrito na media como ‘bairro de criminosos e de violência’, que deu muito que falar na media social e na política local, foi também a comunidade de muitos, incluindo da minha”, disse, acrescentando que esta comunidade continua a crescer e a ficar “mais forte, e mesmo com o término do bairro físico, mantiveram-se as memórias e os laços de amizade que perduram até ao dia de hoje”, fez saber.

Manuela Cardoso fez saber que o bairro dos Húngaros foi também “casa” de outras comunidades dos PALOP, para além de Cabo Verde, assim como etnias de ciganos e grupos de famílias portuguesas que dividiram uma experiência de vida num bairro social mais conhecido pela sua “fama controversa de exclusão política e social”.

A história que conta na obra, na sua opinião, podia ser de muitos outros bairros “de lata” na Grande Lisboa, como foram caracterizadas as comunidades que tinham em comum a mesma condição de vida “precária e segregação social” como são os casos dos bairros da Fontainha, Gato Preto, Lém Ferreira, Cova da Moura entre outros.

Inforpress

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