Ativista ambiental incentiva cultivo de árvores fruteiras e plantas por uma “Cidade Verde”

Desde 2018 que Emileno Ortet idealizou um projeto que junta duas vertentes, a ambiental e a social. De lá para cá este jovem tem incentivado a plantação de árvores fruteiras na cidade, como uma forma de dar às famílias uma fonte de renda.

Filho de pai agricultor, Emileno Ortet nasceu numa família de 13 irmãos. Com uma educação rígida, este jovem de 31 anos que se define como lutador, sonhador e incansável, afirma ter tido uma infância feliz e que desde muito cedo teve a preocupação de ajudar as pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade no bairro onde reside, Achadinha.

Emileno que é agente da Polícia Nacional, é formado em Psicologia Organizacional pela Universidade de Jean Piaget, mas também possui várias formações em agricultura, jardinagem, produção e reprodução de plantas endémicas de Cabo Verde.

Segundo conta, a ideia de criar o projeto “Cidade Verde” remonta a 2018, quando o ativista ambiental sentiu a necessidade apoiar os jovens do seu bairro, no sentido de combater a pobreza e a fome cultivando árvores fruteiras, para que as famílias pudessem ter um alimento perto de casa para consumo próprio.

Foi assim que em 2020, acabou por criar a ” Associação Academia Txadinha” e a iniciativa “Txadinha Verde” para ajudar crianças, adolescentes e jovens de Achadinha e a diminuir o vandalismo do bairro. Paralelamente, o projeto Cidade Verde” visa mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

“Não foi fácil, sofri gozo por parte das pessoas, mas não desisti”, diz este ativista e explica que trilhar este o caminho não é fácil, mas que não desistiu apesar dos obstáculos, e que hoje consegue colher os frutos do seu trabalho e recorda “que todo o trabalho necessita de persistência”.

O projeto que já vai na 4ª edição está a ser expandido para outros bairros da cidade da Praia. Este agricultor também tem estado a incentivar hortas escolares, de forma a apostar na alimentação saudável nas escolas locais.

Emileno tem igualmente um projeto próprio no interior de Santiago – o “Agroecologia AgroFloresta Rui Vaz”. “Emprego 4 a 5 jovens da comunidade de Rui Vaz e gostaria de empregar mais pessoas, entretanto, devido à falta de água que tenho na minha propriedade, não consigo ter uma produção anual. Se eu tivesse acesso à água a um preço razoável conseguiria produzir mais de 30 toneladas de alimentos anualmente”.

Mesmo com a falta de água consegue ter duas produções num ano, devido à sua experiência na área. Atualmente, este empreendedor consegue vender os seus produtos para os supermercados, minimercados e faz entregas em vários pontos da ilha de Santiago.

“Sinto-me feliz por receber bons feedbacks”, afirma Emileno que se mostra satisfeito com o reconhecimento que tem recebido e com o apoio de instituições como o PNUD, mas também de algumas empresas nacionais. Entretanto, lamenta não ter recebido até então o apoio por parte do Ministério de Agricultura e Ambiente.

“Importar menos e produzir mais” é o que defende este ativista que acredita que Cabo Verde possui as condições necessárias para produzir mais produtos localmente e diminuir assim a dependência dos produtos vindos do exterior.

ARTIGO ATUALIZADO ÀS 12H00 DO DIA 11/10

Cátia Gonçalves/ estagiária

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest