Ajuda humanitária volta a entrar na Faixa de Gaza através do Egipto

Camiões com ajuda humanitária e combustível entraram este sábado, 02, na Faixa de Gaza pela fronteira de Rafah, entre o Egito e o enclave palestiniano, após terem ficado paralisados devido ao reinício dos combates entre Israel e o grupo islamita Hamas.

“Cinquenta camiões com alimentos, medicamentos, água e material médico”, bem como dois camiões-tanque com combustível, atravessaram a passagem depois de terem esperado no lado do Egito durante toda a sexta-feira e a manhã de hoje, disseram à agência EFE elementos do Crescente Vermelho e confirmou uma estação de TV egípcia na fronteira, a única saída da Faixa de Gaza não controlada por Israel.

As mesmas fontes também indicaram a travessia para o lado egípcio de Rafah de dezenas de palestinianos com passaportes estrangeiros e vários doentes e feridos, que foram transferidos para hospitais no Egito para tratamento.

O acesso de ajuda humanitária à Faixa Gaza estava paralisado desde que a trégua de sete dias, alcançada por Israel e o movimento islamita Hamas com a mediação do Egito, Qatar e Estados Unidos, para troca de reféns por prisioneiros e entrada de bens no território palestiniano, expirou às 07:00 locais (04:00 e Cabo Verde  de sexta-feira.

A rede de televisão egípcia ExtraNews confirmou que pelo menos cinquenta camiões com produtos humanitários e “três camiões-cisterna com combustível” entraram na Faixa de Gaza e “alguns já regressaram depois de deixarem as suas cargas em armazéns da UNRWA” (Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina).

A estação egípcia lembrou que durante a pausa dos confrontos “cerca de 200 camiões com ajuda e até sete de combustível entraram em Gaza todos os dias”.

A televisão, que exibiu imagens de um dos camiões-tanque na travessia, também observou que dezenas de palestinianos com dupla nacionalidade chegaram hoje ao lado egípcio, juntamente com 12 feridos, a maioria deles graves, que foram transferidos para hospitais em Al-Arish (norte da Península do Sinai), Ismailiya e Cairo.

Antes da pausa humanitária, Israel só permitia que um número limitado de camiões com alimentos e medicamentos chegasse ao enclave palestiniano, após inspeção das autoridades israelitas na passagem de Al-Awja, entre o Egito e Israel e a cerca de 40 quilómetros de Rafah.

De acordo com o Crescente Vermelho Palestiniano, principal organização responsável pela distribuição da ajuda que chega do Egito à Faixa de Gaza, durante os primeiros seis dias da trégua, cerca de 1.132 camiões entraram no enclave, uma média de cerca de 188 por dia.

A guerra começou em 07 de outubro, após um ataque do braço armado do movimento islamita palestiniano Hamas, incluindo o lançamento de milhares de ‘rockets’ para Israel e a infiltração de cerca de 3.000 combatentes que massacraram mais de 1.200 pessoas, na maioria civis, e sequestraram outras 240 em aldeias israelitas próximas da Faixa de Gaza.

Em retaliação, as Forças de Defesa de Israel dirigiram uma implacável ofensiva por ar, terra e mar àquele enclave palestiniano, fazendo mais de 15.000 mortos, deixando cerca de 6.000 pessoas sepultadas sob os escombros e 1,7 milhões de deslocados, que enfrentam uma grave crise humanitária, perante o colapso de hospitais e a ausência de abrigo, água potável, alimentos, medicamentos e eletricidade.

As partes cessaram as hostilidades durante uma semana no âmbito de uma trégua mediada por Qatar, Egito e Estados Unidos, mas os confrontos regressaram na sexta-feira após falta de entendimento para prorrogar o acordo.

Durante a pausa nos combates, 105 reféns do Hamas foram libertados na Faixa de Gaza, incluindo 81 israelitas e 24 estrangeiros, enquanto Israel entregou 240 prisioneiros palestinianos, todos mulheres e menores, e foi permitida a entrada de ajuda humanitária no território.

Inforpress/Lusa

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