Câmara municipal da Praia considera greve dos trabalhadores como “montada para a comunicação social”

O presidente da Câmara Municipal da Praia, Francisco Carvalho, considerou hoje a greve dos trabalhadores uma “greve montada para a comunicação social”, realçando que não houve nem cinco por cento de adesão.

“Trata-se de uma greve montada para a televisão, uma greve para show e é fundamental que todos nós tenhamos presente esta necessidade de rever a nossa forma de ver as coisas”, disse Francisco Carvalho, durante uma conferência de imprensa realizada hoje sobre atribuição de 12 bolsas de estudos para jovens cabo-verdianos estudarem nos Açores.

Segundo ressaltou, o sindicalista tem de ter uma profunda noção de justiça, sendo um defensor de primeira ordem do trabalhador, com também obrigatoriamente de ser avaliado.

“Um sindicato que não consegue mobilizar nem 5% de trabalhadores de uma instituição quer dizer que está a fazer um péssimo trabalho, e é aí que entramos todos nós, com este dever de analise, distanciamento e objectividade para colocar a tónica na avaliação e não no caminho de continuar a fazer eco” explicou, defendendo que este tempo exige justiça e seriedade.

Conforme avançou, pela primeira vez em 14 anos, a antiga Guarda Municipal teve uma alteração no rendimento devido a atribuição do subsídio, fornecida de igual modo aos bombeiros, destacando que foi feito um protocolo que facilita o acesso ao microcrédito aos trabalhadores.

No rol das novas medidas, disse ainda que foram criadas as condições de consulta para os trabalhadores, unidade de assistência psico-social, acesso a lotes de terreno, criado uma linha de autocarro para os trabalhadores do aterro sanitário, reiterando que para breve a implementação do Plano de Carreiras, Funções e Remunerações (PCFR).

O presidente do Sindicato da Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil e Afins (Siacsa), Gilberto Lima, que se encontrava no local no momento da greve dos funcionários em frente a câmara municipal, em declarações à imprensa, acusou o edil de oferecer o montante de 1.500 escudos aos funcionários para não participarem na greve.

“Esta é a razão fundamental que efectivamente não teve a adesão a altura ontem e hoje. Esse acto do presidente demonstra, mais uma vez, que é um homem incumpridor de lei, trapalhão até nas repostas de reivindicação dos trabalhadores”, acusou.

Segundo Gilberto Lima, o comunicado emitido pela edilidade “nada tem a ver” com as questões de greve dos trabalhadores, acentuando que além de sufocar a câmara através de dinheiro, o edil tem contratado trabalhadores nas vésperas da greve.

“Francisco Carvalho ganhou a câmara para governar. Agora, depois de quatro anos de mandato, não pode vir e dizer que são erros do passado, nada disso, ele é quem tem de resolver o problema da câmara”, disse.

Em causa está, segundo o sindicato, a implementação do novo PCFR e as más condições dos serviços disponibilizados para a realização dos trabalhos, nomeadamente, falta de equipamentos e matérias de protecção.

Inforpress

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