Conferência Económica Africana: Reforma do sistema financeiro africano dá início à reflexão e debates

O segundo dia da Conferência Económica Africana, que vem decorrendo na ilha do Sal, iniciou os trabalhos de hoje com reflexão e debate sobre reforma do sistema financeiro africano para enfrentar os desafios do desenvolvimento do continente.

De acordo com um documento a que a Inforpress teve acesso, numa abordagem sobre a matéria, refere-se que apesar dos progressos, os mercados de capitais continuam limitados no continente, faltando “muitos instrumentos” para um sistema de intermediação eficiente, enunciando, ao mesmo tempo, que na sequência da pandemia da covid-19, o acesso das pequenas e médias empresas africanas ao financiamento, tem permanecido limitado com “taxas de juros elevados”.

Além disso, revelou ainda a mesma fonte, o número de bancos correspondentes diminuiu 20 por cento (%), enquanto em 2019 o deficit de financiamento atingiu 26 mil milhões de dólares para a África, a par de “muitos bancos internacionais” estarem a retirar-se de “muitos mercados” em desenvolvimento, tornando o comércio cada vez mais difícil no continente.

“Que papel podem desempenhar as autoridades reguladoras e as instituições multilaterais para limitar este risco”, foi a questão-chave desta sessão, que permitiu a discussão do quadro regulamentar necessário para atrair capital privado e abordar as questões de financiamento empresarial do continente.

“Não deveria a África ter um processo acelerado de recuperação do atraso no desenvolvimento dos mercados de capitais como em qualquer outra parte do mundo, tanto para uma melhor afectação de recursos como, por outro lado, para atrair mais capital para o continente?”; “Como podem os regulamentos e políticas – garantias, transparências, conformidade, reforço das capacidades -, serem adaptadas para financiar rapidamente o desenvolvimento do continente?” foram outras questões em reflexão.

Como podem as inovações financeiras e digitais serem alavancadas para atrair investidores institucionais chave, fundos de pensões no continente, constou também do leque das preocupações.

O painel, moderado pela directora-geral do Escritório para o Desenvolvimento Regional da África Ocidental e de Negócios BAFD, teve como oradores o chefe de Departamento da AFD’S Financial, Emmnuelle Druin, o representante do Instituto Monetário da África Ocidental (WAMI), Auguastin Lingungw, e o presidente do conselho de administração de West African Rating Agency, Anouar Assouna.

Ao longo do dia vão estar ainda em debate vários painéis, eventos virtuais e especiais, destacando-se a conferência de alto nível sobre os “SIDS e a Cooperação Sul-Sul: Oportunidades para a cooperação internacional”.

Este painel, que contará com uma nota de abertura do vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, é composto pelo embaixador José Luís Rocha, o presidente da Plataforma das ONG, Jacinto Santos, o director da Divisão de Tecnologia, Mudanças Climáticas e Recursos Naturais, Jean Paul Adam, e pela consultora Regional de Finanças e SSC dos ODS, Centro do sector Financeiro da África, Orria Goni.

Inforpress

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