Estrutura organizacional em Cabo Verde muitas vezes não está preparada para receber mudanças, diz Anise Pereira

A embaixadora do Programa Next Einstein Fórum em Cabo Verde, Anise Pereira, considerou esta terça-feira, 24, que Cabo Verde é um País com muito potencial, mas que a própria estrutura organizacional muitas vezes não está preparada para receber mudanças.

Anise Pereira teceu estas críticas em declarações à imprensa, à margem da realização do Next Einstein Fórum para Cabo Verde “Parlamento di Ciência” no âmbito da Semana Africana da Ciência.

Segundo explicou, o Next Einstein Fórum é um projecto Pan Africano, que abrange todos os países da África, com o objectivo de promover a educação na Ciência, tecnologia, engenharia e matemática.

“Em cada país de África, a cada dois anos é escolhido um embaixador que tem como função fazer esta promoção, sendo o ponto máximo deste programa a realização da Semana Africana da Ciência, em que cada embaixador NEF tem a incumbência de organizar no seu país de origem.

Neste evento que promove em Cabo Verde adiantou que será apresentado o fenómeno que ocorre no País, desde sempre, ou seja, a emigração, afirmando que o facto de as pessoas crescerem e estudarem aqui o ensino primário e o secundário é um investimento do Governo de Cabo Verde em cada pessoa.

“E depois esta pessoa vai estudar fora e não volta, o que constitui um investimento perdido, ou é uma conexão que Cabo Verde tem na diáspora”, frisou Anise Pereira que questiona se o Governo de Cabo Verde não tem uma forma de fazer com que o capital humano fique no País e seja explorado.

São estas algumas das questões, conforme esta embaixadora, que estarão sobre a mesa com o propósito de fomentar o debate entre parlamentares e entre investigadores.

“Cabo Verde é um País com muito potencial, onde formos, os estudantes cabo-verdianos, somos sempre reconhecidos e muitas vezes temos muito incentivo para ficar, aqui ainda há muita coisa por fazer, sabemos que muitas vezes não temos condições materiais e humanas, para além disso, a própria estrutura organizacional muitas vezes não está preparada para receber mudança”, afirmou.

Isto porque, justificou, há pouco espaço de mudança, de implementar o que os estudantes trazem, porque muitas vezes regressam cheios de ideias e projectos que são cortados, até que se encaixem aos poucos dentro do sistema existente.

“Acho que ainda há muita falha nesta questão, pouco espaço para a criatividade, para a mudança que está a faltar em Cabo Verde para aproveitarmos os nossos profissionais quando chegam, e quando é assim, acabamos por ter um conjunto de profissionais frustrados e sem espaço para crescer, para inovar e implementar novos projectos”, reforçou.

Por sua vez, o secretário de Estado para a Economia Digital, Pedro Lopes, nas suas declarações, realçou a importância deste evento, que, na sua opinião, vale a pena ser apoiado pelo Governo, porque traz para a discussão a questão da fuga de cérebros.

“É importante nós conhecermos não só o contributo da diáspora, mas unirmos a nossa diáspora. Temos investigadores fantásticos lá fora, não queremos perder os investigadores que temos no nosso País, mas, é preciso dar as condições para a investigação”, reconheceu.

O governante aproveitou ainda para lançar o desafio a todos aqueles que estão na área da investigação que procurem fazê-la de uma forma sustentável, que procurem recursos que possam dar forças à investigação, e que não fiquem apenas à espera daquilo que são os recursos do Estado, mostrando que há a necessidade de se procurar todos os recursos.

Inforpress

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