Governo disposto a negociar realojamento com famílias do bairro da Boa Esperança, diz ministra

A ministra das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação disse hoje que o Governo está a negociar com as pessoas que recusam realojar-se nas habitações entregues na Boa Vista, mas avisa que se for necessário recorrer ao uso da força será feito.

“Asseguramos que ninguém vai sair das barracas sem alternativa e a opção é uma habitação. Pode não agradar, pois, alguns querem um apartamento grande, ou então preferem um lote de terreno, mas de momento no local onde querem não podemos avançar pois, a zona não está urbanizada”, disse Eunice Silva, quando questionada pelo jornalista sobre as alternativas existentes para as pessoas que recusam realojar nas habitações entregues.

A governante, que falava à Inforpress, afirmou existirem lotes ao lado dos prédios construídos para serem distribuídos às famílias, mas que as pessoas querem manter no bairro Boa Esperança onde não há disponibilidade de lotes por não estar urbanizado.

Neste processo, e após um encontro que diz ter mantido recentemente com o presidente da câmara municipal e com o ministro da Família, indicou que a autarquia vai notificar as pessoas que não queiram sair do bairro da Boa Esperança para dar prazos e acertar alternativas.

“Se necessário vamos utilizar outros recursos, como o uso da força. Mas não queremos lá chegar”, avisou, frisando, por outro lado, que a autarquia da Boa Vista, a partir de agora, vai ter de cumprir com uma fiscalização apertada para que não venha haver mais barracas no local.

Eunice Silva frisou ainda que o local vai ser limpado, estando prevista a apresentação de um plano urbanístico já que o terreno fica dentro do centro da cidade da ilha.

Explicou também a existência de novos inquilinos no bairro de Boa Esperança, há cerca de um ano, com quem vão ter de negociar alguma recompensa já que na época do recenseamento para construção de habitação estes não residiam no local.

“Estamos a 70% de eliminação de barracas na Boa Vista. Os 30% que ainda não tomaram as casas estão a resistir, mas estamos a trabalhar para que, neste mandato, Sal e Boa Vista estejam livre das barracas”, esclareceu.

Em ilhas onde não há barracadas a ministra disse que vai ser trabalhado o Programa de Regeneração e Habitat (PRH), um dos cinco programas que o plano prevê para reabilitação do habitat.

Na Praia, informou que o programa já está na fase preparatória para intervenção com o objectivo de cobrir as questões ligadas à água, energia e esgoto cobrindo zonas onde a pobreza é maior.

Levantamento actualizado das famílias no bairro Boa Esperança em 2019 indicava a existência de 537 famílias, sendo que 357 já foram realojadas e 153 estão por realojar. Destas 89 famílias não querem sair da barraca, resistindo e exigindo condições que o Governo não tem como corresponder, segundo disse a ministra.

Inforpress

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