Governo enaltece importância do Campo de Concentração do Tarrafal na identidade cabo-verdiana pós-independente

O Governo considerou esta quinta-feira, 09, o Campo de Concentração do Tarrafal “muito significativo” para a história de Cabo Verde, para a construção da identidade cabo-verdiana no pós-independência e da própria República de Cabo Verde independente.

O ministro da Cultura e das Indústrias Criativas exprimiu esta posição no final do encontro bilateral com o seu homólogo de Portugal, Pedro Adão e Silva, no Palácio do Governo, onde sublinhou que a candidatura a Património Mundial da Humanidade só será entregue junto da Unesco depois de 2024, face à suspensão das candidaturas a lugares de memórias ligados aos regimes totalitários.

O governante fez questão de ressaltar a dimensão do Campo de Concentração do Tarrafal, salientando que os cabo-verdianos estiverem encarcerados em menor números nesta também apelidada de cadeia de morte lenta, pelo que entende ser necessário envolver países como a Guiné Bissau, Angola e Portugal.

Cabo Verde, enquanto parte do Grupo África, explicitou, subscreveu junto da Unesco a necessidade de uma negociação em termos de justiça entre os países que viram grande parte do seu espólio cultural retirados dos seus territórios serem devolvidos aos seus museus, para uma completa restituição das suas identidades.

Abraão Vicente destacou ainda as relações internacionais entre os dois estados e um forte sinal das relações multifacetadas com uma forte presença na sociedade civil e aproveitou o momento para referir que a iniciativa da candidatura dos Escritos de Amílcar Cabral a Memórias do Mundo faz parte da estratégia nacional para a preservação do lugar deste líder histórico.

Já o ministro da Cultura de Portugal garantiu que o projeto da candidatura do Campo de Concentração do Tarrafal une Cabo Verde e Portugal, porque “Tarrafal corresponde à história, à memória do combate à ditadura portuguesa, mas também à memória do combate ao colonialismo”, salientando que os dois regimes foram resolvidos com a transição para a democracia em Portugal.

“É importantíssimo nós projetarmos o futuro, preservarmos sempre a memória. O futuro é construído de história e países como Portugal e Cabo Verde ganham muito se conseguirem se aproximar através da memória/história, ultrapassando os seus traumas, enfrentando-os. É importante superar o estigma, mas preservando aquilo que efetivamente aconteceu”, realçou.

Portugal, explicou, está empenhado em ajudar Cabo Verde neste projeto em toda a componente técnica, através da Direcção-Geral do Património Cultural, instituição que vai basear-se em experiências semelhantes de que é exemplo o Forte de Peniche, referido como “uma prisão política, particularmente violenta durante a ditadura portuguesa” e que atualmente se encontra no processo de musealização.

“Há muita experiência que se podem partilhar naquilo que é o propósito e a construção de espaços de memória traumática”, sublinhou, acrescentando que o museu dedicado à resistência e à liberdade tem a dupla dimensão de resgatar a memória da resistência à ditadura em Portugal e da resistência ao colonialismo de todas as ex-colónias”, anotou, frisando ser de um “enorme significado” para a comunidade da lusofonia.

Inforpress

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