Hoje temos uma comunidade cabo-verdiana em Portugal muito mais interventiva, diz PM

O primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, considerou hoje, em Lisboa, que atualmente a comunidade cabo-verdiana em Portugal está “muito mais” interventiva, exemplificando com a participação política e o número dos candidatos autárquicos nas últimas eleições.

O chefe do Governo fez essa afirmação em declarações à imprensa cabo-verdiana, no seu terceiro dia de visita a Portugal e no final do almoço-convívio que teve com os candidatos municipais de origem cabo-verdiana nas últimas eleições autárquicas em Portugal, sendo que uns foram eleitos, nomeadamente como deputados ou vereadores, e outros, não.

Segundo ele, a comunidade cabo-verdiana que esteve no encontro de hoje, que decorreu no Centro Cultural de Cabo Verde (CCCV) em Lisboa, estava “bem representativa” em termos de participação política, sendo que a maioria é jovem, a desempenhar cargos de vereadores e eleitos nos diversos municípios em Portugal.

“Temos uma comunidade muito mais interventiva e isto é muito importante, porque eles têm dupla nacionalidade e enquanto cidadãos portugueses, ter uma representação a nível das câmaras municipais, que são estruturas de maior proximidade relativamente às populações, significa também uma maior proximidade de Cabo Verde e do interesse de Cabo Verde relativamente às comunidades que vivem neste país e exercerem a sua cidadania política”, considerou.

Entretanto, Ulisses Correia e Silva frisou que é preciso que haja mais envolvimento, o que acaba por aumentar o capital político, criar capacidade de influenciação, aumentar a notoriedade do próprio País e defender também os interesses da comunidade cabo-verdiana, por isso, deixou um pedido.
“O pedido que deixei foi no sentido de influenciação para que participem nas eleições portuguesas, que se apresentem para serem eleitos, mas mobilizar também àqueles que não votam, porque muitos, sendo eleitores em Portugal, não votam, mas é importante esse exercício de cidadania”, contou.

A Inforpress também ouviu três eleitas municipais que participaram no encontro com o primeiro-ministro, que falaram das suas preocupações neste momento.

“O meu desafio é melhorar a condição de vida das populações, nomeadamente em termos dos espaços públicos, termos serviços do atendimento, a questão da acessibilidade, na área da educação, contribuir para um melhor conhecimento e sustentabilidade do planeta, ou seja, ter um serviço de proximidade, que permita que as pessoas conheçam os seus recursos”, disse Maria Almeida, presidente da União das Freguesias de Almada, Cova de Piedade e Cacilhas.

“Neste momento, o meu maior desafio é uma oposição severa e a possibilidade de trazer à agenda e debate político, questões que fazem a diferença na vida das populações e que são deixadas. Pessoalmente tenho dois grandes desafios, ou seja, as causas das mulheres e a emigração, que quando discutidas localmente, muitas vezes são negligenciadas”, afirmou Fátima Carvalho, deputada na Assembleia Municipal da Amadora.

“O maior desafio que se nos coloca atualmente é que as três áreas sob a minha responsabilidade atuem de uma forma intersectorial e que promovam o acesso aos direitos, uma maior equidade e que isto seja transversal a todas as populações, independentemente da sua origem, e tendo uma comunidade cabo-verdiana muito grande em Cascais, queremos cada vez mais que essa realidade não seja o condicionamento do acesso aos direitos das pessoas”, explicou Carla Semedo, vereadora na Câmara Municipal de Cascais na área de Saúde, Ação Social e Direitos do Território.

No final, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, frisou a intenção de retomar o programa criado pelo Governo em 2017 para homenagear a diáspora cabo-verdiana, denominado “Diáspora de sucesso”, que depois de três edições (nos Estados Unidos da América, Portugal/Europa e Senegal) foi suspenso por causa da pandemia.

Inforpress

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