Homenagear Mascarenhas Monteiro é antes de mais realçar a essencialidade dos ideais da democracia – PR

O Presidente da República, José Maria Neves, considera que homenagear o Presidente Mascarenhas Monteiro é, antes de mais, realçar a essencialidade dos ideais da democracia, do Estado de Direito, do diálogo, da paz e dignidade da pessoa humana.

José Maria Neves falava na cerimónia de homenagem de Estado ao antigo Presidente António Mascarenhas Monteiro, por ocasião do 80º aniversário do seu nascimento e que ficou marcada pela atribuição do seu nome à biblioteca da Presidência da República, que passa a agora a chamar-se d“Biblioteca Presidente António Mascarenhas Monteiro”.

Na sua alocução,  o Chefe de Estado cabo-verdiano destacou que é consensual o reconhecimento do papel daquele que foi “o grande protagonista da gesta democrática cabo-verdiana”.

“Trata-se, pois, de um dever de memória, a que tenho a honra e o privilégio de presidir. Consiste no reconhecimento do papel de um grande cabo-verdiano, uma figura marcante da nossa história política recente, o que justifica plenamente esta homenagem de Estado”, disse.

Para José Maria Neves, o Presidente Mascarenhas Monteiro, que exerceu dois mandatos (de 1991 a 2001), foi a pessoa certa no lugar certo, com um papel incontornável nos primeiros passos da construção da democracia, em Cabo Verde.

“Estadista nato, a sua assertividade, maturidade e discernimento foram cruciais, conferindo-lhe uma autoridade incontestada como árbitro e moderador do sistema político, num momento decisivo para a vida da República. Nunca se omitiu ou decepcionou, tendo exercido o elevado cargo com moderação, coerência, serenidade e distinção”, recordou o Presidente José Maria Neves,  que,  enquanto primeiro-ministro, trabalhou com o saudoso.

Conforme adiantou,  Mascarenhas Monteiro foi um “acérrimo crítico” das desigualdades sociais, solidário e defensor dos despossuídos, por quem nutria particular sentimento de empatia, advogando políticas públicas visando a melhoria das condições de vida das camadas mais desfavorecidas.

“No seu entender, o processo de desenvolvimento deve ser harmónico e sustentado, capaz de conduzir à realização da justiça social”, acrescentou.

José Maria Neves finalizou pedindo a todos que sejam continuadores consequentes do  legado do Presidente António Mascarenhas Monteiro.

A sessão de homenagem contou também com uma conferência sobre “o homem Estadista”, proferida pela professora Doutora Maria Luísa Ferro Ribeiro, que enquanto antiga professora de António Mascarenhas Monteiro fez um breve percurso sobre a vida do falecido Presidente, falando dele não só como estadista, mas também  do presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Enquanto Estadista destacou três pontos que considera fundamentais, designadamente o papel que António Monteiro teve na transição do monopartidarismo para o sistema democrático, o trabalho dele com a população e do importante papel que teve na transição pacífica com a promulgação da constituição da República.

Nascido a 16 de Fevereiro de 1944, Mascarenhas Monteiro faleceu em Setembro de 2016, aos 72 anos de idade.

Inforpress

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