Joana Rosa: “O cargo de Presidente da República não pertence a quem o ocupa. Pertence aos cabo-verdianos”

A candidata à Presidência da República Joana Rosa prometeu uma Presidência “diferente” e centrada na proximidade aos cidadãos.

A candidata à Presidência da República, Joana Rosa, apresentou esta quinta-feira, 1 de outubro, no Auditório da Assembleia Nacional, na Cidade da Praia, a sua candidatura às eleições presidenciais de 15 de novembro, defendendo uma Presidência de proximidade, independente e orientada para o diálogo com os cidadãos.

Em declarações aos jornalistas antes da apresentação pública, Joana Rosa justificou a decisão de avançar com a candidatura com o percurso que tem desenvolvido na vida política e institucional em Cabo Verde. Recordou os dois mandatos como Presidente da Assembleia Municipal no Maio, a percurso de vários anos no Parlamento, a participação na revisão constitucional de 2010 e na aprovação do pacote de Justiça, a liderança parlamentar do MpD e os cinco anos enquanto ministra da Justiça.

“Entendi por bem dar o salto, porque não disponibilizar-me para trabalhar e fazer mais por Cabo Verde?”, afirmou, acrescentando que pretende colocar a sua experiência ao serviço do país e da diáspora.

Joana Rosa reconheceu também o significado de ser a primeira mulher a candidatar-se à Presidência da República em Cabo Verde, mas defendeu que a candidatura deve ser avaliada principalmente pela competência e pela capacidade para exercer o cargo.

A candidata apresentou um conceito de Presidência assente na proximidade aos cidadãos, na capacidade de influência e na mediação. Sublinhou que o Presidente da República não governa, mas “pode fazer pontes” entre os diferentes poderes, promover o diálogo e contribuir para o bom funcionamento das instituições, para a estabilidade, o Estado de Direito e o pluralismo.

Joana Rosa disse ainda que pretende ouvir os cabo-verdianos durante a campanha, através de um período de auscultação, para conhecer as suas preocupações e expectativas, sempre dentro “das competências presidenciais”.

” (…) tudo quanto diz respeito ao processo de desenvolvimento do país, a Presidente estará na linha de frente, convocando todos os cabo-verdianos, principalmente nos momentos difíceis, porque o mundo hoje atravessa uma fase de desafios (…) eu considero-me estar à altura de enfrentar esses novos desafios”, afirmou.

Ainda no contexto internacional, defendeu “que uma Presidente da República deve poder utilizar a sua experiência, a sua condição, para também contribuir para a paz no mundo, para que Cabo Verde possa ter uma voz ativa na arena internacional”.

Causas nacionais

Já no púlpito, perante convidados, representantes políticos e apoiantes, Joana Rosa explicou a visão que pretende levar à Presidência da República. Entre as prioridades apresentadas estão cinco causas nacionais: a juventude e o futuro, a coesão entre as ilhas, a transformação do crescimento em desenvolvimento humano, a relação permanente com a diáspora e a confiança nas instituições e na democracia.

A candidata afirmou que a sua candidatura nasceu de uma reflexão sobre o país e sobre o papel que a Presidente da República deve desempenhar nos próximos cinco anos. Defendeu uma Presidente “próxima das pessoas”, capaz de ouvir e dar consequência às preocupações dos cidadãos, mas também independente e respeitadora da Constituição, das instituições e das competências de cada órgão.

Sobre a juventude, Joana Rosa apontou preocupações relacionadas com educação, emprego, habitação e participação. Anunciou que pretende inovar e garantir a presença de jovens no Conselho da República além de criar um fórum para o debate dos problemas da juventude cabo-verdiana.

Na questão da coesão territorial, reconheceu diferenças nas condições de vida e oportunidades entre ilhas e municípios, apontando os transportes, o acesso a serviços e o emprego como áreas com impactos distintos no território.

Quanto à diáspora, defendeu uma relação permanente com as comunidades no exterior, que considera parte da nação, e anunciou a intenção de criar um fórum de concertação para políticas públicas destinadas, entre outros objetivos, a incentivar o regresso de cabo-verdianos ao país, mas também defender a integração dos emigrantes e uma maior valorização dos quadros cabo-verdianos nos países de acolhimento.

A confiança nas instituições foi outra das áreas destacadas. Joana Rosa defendeu uma Administração Pública profissional, imparcial e orientada para o interesse público, assente no mérito, na competência e no compromisso com Cabo Verde, e não na filiação ou proximidade partidária.

A candidata afirmou que a independência da Presidência não significa isolamento nem conflito com os restantes órgãos de soberania. “A Presidente deve ser um fator de equilíbrio”, afirmou, acrescentando que “equilíbrio não é silêncio”, “serenidade não é passividade” e “independência não é conflito”.

Joana Rosa sustentou ainda que o Presidente da República deve acompanhar a forma como a Constituição se concretiza na vida dos cidadãos, incluindo matérias relacionadas com educação, saúde, trabalho, proteção social e igualdade de oportunidades, sem substituir o Governo nas suas funções.

A candidata encerrou a apresentação retomando o lema da candidatura “Sentir Cabo Verde, servir Cabo Verde, proteger Cabo Verde”.

Perante as 11 bandeiras em palco que, segundo explicou, representam as ilhas e a diáspora, Joana Rosa afirmou que assume a candidatura como uma responsabilidade perante todos os cabo-verdianos. “O cargo de Presidente da República não pertence a quem o ocupa. Pertence ao todos os cabo-verdianos”.

“Cabo Verde pode contar comigo enquanto Presidente da República”, concluiu.

O momento de uma mulher chegar “ao mais alto nível do Estado”

A mandatária da candidatura, Lígia Fonseca, afirmou que apoia Joana Rosa por acreditar numa Presidência capaz de reforçar a democracia, o equilíbrio entre instituições e a unidade nacional.

A advogada sublinhou que a candidatura reúne pessoas de diferentes sensibilidades políticas e sem partido, defendendo que se trata de uma candidatura assente numa ideia de país democrático, livre e plural, onde a dignidade e a igualdade devem ser concretizadas e onde as instituições devem funcionar com independência e equilíbrio.

A mandatária destacou também o significado da candidatura de uma mulher à Presidência da República, defendendo que, depois de décadas em que se afirmou a capacidade das mulheres para ocupar todos os espaços, chegou o momento de uma mulher chegar “ao mais alto nível do Estado”.

Lígia Fonseca contrapôs a proposta de renovação apresentada por Joana Rosa à ideia de continuidade baseada na experiência dos últimos cinco anos, afirmando ter dúvidas sobre o balanço positivo desse período.

No final, Lígia Fonseca apelou à mobilização durante os 45 dias que antecedem as eleições de 15 de novembro.

De salientar que a lista de candidatos ao cargo de Presidente da República integra seis nomes, nomeadamente, Antero Tavares, Casimiro de Pina, José Maria Neves, Joana Rosa, Gilson Alves e Loisito Tavares.

Balai Notícias

Artigo Atualizado

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