Mali, Burkina Faso e Níger poderão reintegrar a CEDEAO brevemente

O Senador Ndume, que é um dos membros mais antigos do Parlamento da CEDEAO, adiantou aos jornalistas, à margem da Sessão Extraordinária do Parlamento, que tudo o que é necessário para trazer os países de volta ao grupo já está em vigor.

O senador nigeriano Ali Ndume, que também é membro do Parlamento da CEDEAO, manifestou ontem, dia 22, durante a segunda sessão extraordinária de 2024 da VI Legislatura do Parlamento algum otimismo em relação ao regresso à comunidade de Mali, Burkina Faso e Níger, países que saíram da comunidade a 28 de janeiro de 2024.

“O rancor que levou à decisão de partir já foi drenado e o Níger não está mais incomodado com os países irmãos da África e está pronto para voltar”, afirmou o senador, que é o líder do Senado nigeriano.

A mesma fonte observou que a decisão de deixar o bloco caso este pudesse ser revogado foi tomada depois que o golpe no Níger foi condenado por todos os estados membros da CEDEAO e sanções foram impostas ao país.

“A Autoridade dos Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO, liderada pelo presidente da Nigéria Bola Tinubu, já levantou as restrições e proibições; cabe agora aos três países retribuir”.

“O Parlamento está a desempenhar o seu papel como vos disse; tivemos uma comissão ad hoc, mesmo do parlamento anterior, que se debruçou sobre esta questão e estamos a obter resultados positivos (…) Estou pessoalmente envolvido e há esperança de que muito em breve voltaremos a reunir-nos, pois estamos no processo de resolução do problema”, concluiu Ndume.

O Parlamento da CEDEAO propôs assim um Comité de Mediação Ad hoc para persuadir Mali, Burkina Faso e Níger, os três estados-membros do bloco regional, a reconsiderarem as posições e se juntarem novamente com os demais países membros.

A posição de Ndume vai ao encontro do que Orlando Dias, deputado de Cabo Verde na CEDEAO, manifestou em entrevista à Rádio de Cabo Verde, RCV, que salientou inclusive que Guiné-Conacri já regressou à comunidade.

Saída de Mali, Níger e Burkina Faso aconteceu em janeiro

Recorde-se que em janeiro deste ano, os líderes das três nações do Sahel, Mali, Níger e Burkina Faso, emitiram um comunicado a dizer que era uma “decisão soberana” deixar a CEDEAO.

A lutar contra a violência jihadista e a pobreza, os regimes têm mantido laços tensos com a CEDEAO desde que ocorreram golpes de estado no Níger, em julho passado; no Burkina Faso, em 2022; e no Mali, em 2000 e 2021.

Todos os três – membros fundadores do bloco em 1975 – foram suspensos da CEDEAO, com o Níger e o Mali a enfrentarem pesadas sanções, enquanto o bloco tentava pressionar pelo regresso antecipado dos governos civis com eleições.

Os três dizem que as sanções foram uma “postura irracional e inaceitável” numa altura em que os três “decidiram tomar o seu destino nas mãos” – uma referência aos golpes de estado que destituíram as administrações civis.

As três nações endureceram as suas posições nos últimos meses e uniram forças numa “Aliança dos Estados do Sahel”.

Cabo Verde está representado na segunda Sessão Extraordinária de 2024 da Sexta Legislatura do Parlamento Comunitário pelos deputados Orlando Dias, Rosa Rocha, Carlos Tavares, Isa Costa e Nelson Brito.

Segundo a agência Inforpress, o Parlamento da CEDEAO é a Câmara representativa dos povos da Comunidade, com 115 lugares, no qual cada estado-membro tem garantido um mínimo de cinco assentos. As 40 cadeiras restantes são distribuídas proporcionalmente à população de cada país.

A Nigéria dispõe de um total de 35 assentos, seguida do Gana com oito assentos, a Costa do Marfim com sete, enquanto Burkina Faso, Guiné, Mali, Níger e Senegal têm seis assentos, respectivamente.

Aos restantes Estados-membros da CEDEAO, nomeadamente, Benim, Cabo Verde, Gâmbia, Guiné Bissau, Libéria, Serra Leoa e Togo, foram atribuídos a cada um cinco assentos.

* Rosana Almeida, na Nigéria

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