Ministro: Conferência Económica Africana permitiu “conclusões claras” sobre os caminhos que a África deve seguir

O ministro das Finanças, Olavo Correia, asseverou este sábado, 04, no Sal, que a Conferência Económica Africana permitiu “conclusões claras” sobre como deverão ser os caminhos que a África deve seguir, sendo fundamental uma “liderança forte” para superar os desafios.

Cai o pano sobre os três dias de trabalhos da Conferência Económica Africana que reuniu várias individualidades africanas, num dos hotéis de Santa Maria, para juntos pensarem e debaterem os problemas e apresentarem soluções e alternativas ao modelo actual de financiamento do desenvolvimento de África, no contexto pós-pandemia.

“Ficou claro durante estes três dias de trabalhos de que tem de existir a capacidade de liderança, a resiliência, a coragem nos líderes africanos, sejam governamentais, da sociedade civil, académicos, empreendedores, representantes das organizações regionais e multilaterais, para preparar o futuro e fazer das nossas prioridades nacionais e regionais uma realidade”, disse Olavo Correia, enfatizando que uma liderança forte “é fundamental” para África superar os seus desafios.

Segundo o governante, para se garantir o processo de desenvolvimento em África há que começar a implementar as reformas necessárias para aumentar a capacidade de resiliência face aos choques.

“É mais do que evidente que a África que temos hoje, nos caminhos que estamos a seguir, não conseguirá financiar o seu processo de desenvolvimento, sem uma profunda mudança de paradigma. Temos de pensar a África fora da caixa”, concretizou.

Considerando que o continente oferece “imensas oportunidades” para os investidores privados, Olavo Correia entende que é o momento de em África, a palavra estabilidade ser um dado adquirido.

“Com a estabilidade, é fundamental estarmos dotados de transparência. Com um continente transparente, onde os líderes apostam no accountability e prestação de contas, a segurança nos investimentos será chave para o sucesso do sector privado e, consequentemente, uma maior participação na contribuição e na arrecadação das receitas públicas”, considerou.

Para o vice-primeiro ministro e titular da pasta das Finanças, para a África ter voz no mercado internacional é preciso ter em conta, pelo menos, quatro aspectos.

Em primeiro lugar, explicou, que a África tem de ser um continente unido.

“Para transformarmos a África, temos de transformar a cada uma das nossas economias. E isso só será possível se houver uma clara união e articulação entre todas as economias da região”, desafiou.

“E a união só será possível se houver uma efectiva integração das nossas economias. Sem este primeiro passo, de nada vale todos estes discursos e todas as conclusões que foram levantadas durante estes três dias”, frisou.

Apontou, por outro lado, que a mobilidade de pessoas e de bens, a facilidade nos transportes intra África deve ser também um factor chave.

“Isso é o que vai permitir o desenvolvimento de mercados e permitir criar uma cadeia de valor entre as economias da região”, considerou, referindo como um terceiro aspecto, o desenvolvimento do sistema financeiro e de mercados de capitais em África.

No entendimento de Olavo Correia, o investimento em África só vai ser dinamizado, quando houver um sistema financeiro que permite a canalização de recursos de “forma rápida, a custo baixo e de forma eficiente”.

Por fim, a eficiência da máquina tributária, a inovação na arrecadação das receitas públicas e ao mesmo tempo uma melhoria na governança e transparência que, conforme esclareceu, vai permitir focar nos investimentos públicos fundamentais para promover a dinâmica económica.

“E, consequentemente, criar espaços para investirmos nos capitais das instituições internacionais. Só assim estaremos a ser bem representados”, declarou.

Fazendo fé que juntos poderão transformar África, o governante cabo-verdiano indicou, entretanto, que há que valorizar os talentos africanos.

“São os jovens talentos que vão dinamizar o nosso continente. Serão eles os empresários de futuros, serão eles os líderes de futuros. Por isso, é fundamental o investimento no capital humano africano”, finalizou.

Inforpress

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