Ministro do Mar alerta para “contínua escassez” de recursos de pesca nas águas de Cabo Verde

O ministro do Mar chamou atenção, hoje, no Mindelo, para a “contínua escassez” de recursos de pesca nas águas de Cabo Verde o que poderá ser um aviso não só para a exportação, mas, para se trabalhar com dados.

Abraão Vicente fez o alerta ao presidir o Workshop Nacional de Consulta Estratégica do Quadro de Programação País (CPP, sigla em inglês) FAO-Cabo Verde 2023-2027, organizado em parceria com a organização das Nações Unidas e o Governo.

“Apesar de termos 99% do território nacional no mar, são cada vez mais escassos os recursos nele existentes”, reiterou o governante, adiantando ter sido alertado pelas “maiores empresas exportadoras cabo-verdianas”, Frescomar e Atunlo, que, segundo a mesma fonte, tem neste momento “menos de um terço” do que costumam ter por esta altura do ano para fazer o seu trabalho.

Abraão Vicente acredita ser um aviso não só para o sector da exportação, mas, também para se trabalhar com dados e “para ter uma estratégia mais consolidada de exploração do que existe, mas, também para explorar além do que tem sido o território de exploração da indústria pesqueira”.

Segundo o mesmo, mostra-se necessário também efetivar a abordagem ecossistémica das pescas e a sua co-gestão.

“Falo de co-gestão porque não deve haver anarquia, não pode haver liberdade absoluta no modo como exploramos os nossos oceanos”, sublinhou Abraão Vicente, para quem é preciso envolver as Organizações Não Governamentais (ONG), as associações piscatórias, instituições, já que “ninguém detém o monopólio sobre a gestão dos recursos marinhos”.

Entre outras medidas a serem tomadas, o ministro do Mar enumerou a exploração de espécies de profundidade, criação de novos bancos de pescas, mas, sempre preservando as reservas já efetivadas.

“Não haverá futuro se não conseguirmos reservar parte do que são os nossos recursos para o futuro”, sublinhou Abraão Vicente, assegurando que em 47 anos de independência de Cabo Verde não se conseguiu dar ao sector das pescas as infraestruturas necessárias não só para o trabalho digno, mas, também de apoio ao desenvolvimento do sector, que, asseverou, tem “fortes possibilidades” de tirar “milhões de cabo-verdianos” da pobreza.

Voltando-se para as organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o ministro deixou outro recado alegando ser fundamental que estas passem a desenhar projetos com períodos “mais curtos” de implementação.

“Menos estudos técnicos e mais implementação, mais transferência direta de recursos para a realidade concreta dos países”, exortou, admitindo ser “pouco pragmático e elogioso” saber que a “grande parte dos montantes canalisados” ficam nas consultorias técnicas.

Isto quando, ajuntou, é preciso transferir recursos financeiros, como no caso do sector das pescas, para os empresários, ONG e os próprios pescadores.

Por seu lado, a representante da FAO em Cabo Verde, Ana Touza, assegurou que com a implementação do CPP 2023-2027 entrou-se numa “nova fase de cooperação” entre a sua instituição e Cabo Verde, que vai permitir definir as áreas de cooperação e orientar parcerias “reunindo as melhores práticas inovadoras internacionais e as normas mundiais por ‘expertises’ internacionais e regionais”.

Para atingir tal objetivo, a FAO, segundo a mesma fonte, aplicará quatro aceleradores transversais, sendo estes, uso de tecnologias, inovação, uso de dados e desenvolvimento de capital humano e das instituições.

Ana Touza disse esperar que no final do quadro de cooperação, em 2027, mais pessoas, em Cabo Verde, estejam habilitadas e tenham “melhor acesso à uma nutrição segura, inclusiva e equitativa, baseada em sistemas de produção alimentar locais, resilientes ao clima e baseados no conhecimento que cria empregos decentes e soluções inovadoras e sustentáveis baseadas na natureza.

O workshop termina na tarde de hoje com recolha de contributos dos participantes para o CPP.

Inforpress

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