Ministro espera que 39ª reunião sobre segurança alimentar sirva para identificar soluções na definição de melhores políticas

O ministro da Agricultura e Ambiente disse hoje esperar que a 39ª reunião da RCPA sirva na identificação de soluções que contribuam para a definição das melhores políticas públicas na promoção da segurança alimentar na região africana.

Gilberto Silva fez estas afirmações quando intervinha na cerimónia de abertura da 39ª Reunião da Rede de Prevenção de Crises Alimentares (RPCA), realizada esta manhã no Campus da Universidade de Cabo Verde, na Cidade da Praia.

“Estamos num mundo em que o clima está a mudar. Os desafios que nós sempre enfrentamos tornaram-se desafios ainda maiores, considerando os efeitos das mudanças climáticas e os múltiplos fatores outros críticos para o planeta”, realçou.

Destacou a importância da segurança alimentar na garantia da paz e o desenvolvimento no mundo, almejando que, no final da referida reunião, seja feita uma boa análise da situação atual de segurança alimentar e nutricional no Sahel e nos países da CEDEAO.

“Que nós possamos também identificar as soluções que contribuam para a definição das melhores políticas públicas e dar resposta àqueles que mais precisam, com um olhar atual, na situação atual, mas também com um olhar na construção de uma política que permite tornar os sistemas alimentares, em Cabo Verde e no mundo, mais resilientes”, afirmou.

Por seu turno, a presidente honorária do Clube do Sahel e da África do Oeste, Adizatou Rosine Koulibaly, reconheceu que a região africana enfrenta grandes desafios, nomeadamente a incerteza climática, a intensificação e a expansão geográfica da segurança.

No entanto, frisou, a insegurança alimentar e nutricional não deve ser aceite como fatalidade, seja na região ou em outros lugares, lembrando que o planeta Terra fornece uma quantidade suficiente de comida e o mundo dispõe de suficientes recursos para erradicar a febre e a má nutrição.

“Os governos da região do Sahara e da África do Oeste precisam mobilizar mais recursos internos para melhor fazer face à crise alimentar. Para promover a inovação e para investir em sectores como agricultura, saúde e redução da pobreza, de forma geral”, defendeu.

Por sua vez, o secretário-executivo do CILS, Abdoulaye Mohamadou, realçou que as análises do quadro harmonizado realizadas em 16 países do Sahel e na África do Oeste em Novembro de 2023 indicam que há uma situação alimentar e nutricional preocupante.

“A situação alimentar continua a ser preocupante na região. Na verdade, em vários países o número de má nutrição global e nacional está acima de 10%. Regista-se no Chad, na Nigéria e no Mali, no entanto, em várias zonas dos países do Sahel e do norte da Nigéria o nível de má nutrição global está acima de 15%”, indicou.

Considerou, neste sentido, que há uma necessidade “extremamente urgente” de conjugar os esforços para enfrentar esta ameaça, a nível da região, num contexto já fragilizado pela inacessibilidade de recursos nas zonas afetadas pela crise de segurança.

Criada em 1984, por iniciativa dos países membros e parceiros do CILSS e do Clube do Sahel, a Rede de Prevenção das Crises Alimentares no Sahel e África Ocidental é uma plataforma internacional de consulta e coordenação da situação alimentar e nutricional da região.

Sob a liderança política das comissões da CEDEAO e do UEMOA, a rede reúne mais de uma centena de membros, incluindo os estados membros da CEDEAO, CILSS, UEMOA, a Áustria, a Bélgica, o Canadá, os Estados Unidos, a França, o Luxemburgo, a Holanda, a Suíça e a União Europeia, esta última como parceiro estratégico do Clube. O Banco Mundial, a União Africana e a ROPPA participam como observadores.

Co-organizada pelo Secretariado Executivo do CILSS e pelo Secretariado do Clube do Sahel e da África Ocidental (CSAO/OCDE), e sob os auspícios das Comissões da CEDEAO e do UEMOA, a rede reúne-se ordinariamente duas vezes por ano, nos meses de Abril e Dezembro.

Estas reuniões têm como objetivo analisar e avaliar a situação alimentar e nutricional na região, fornecer aos decisores instrumentos cruciais para a tomada de decisão, promover o diálogo político e coordenar as intervenções necessárias para mitigar as situações de crise alimentar na sub-região.

Inforpress

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