MpD acusa PAICV de buscar dados que se encaixem na “narrativa de retrocesso” para “manipular cabo-verdianos”

O secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD, poder) acusou hoje o PAICV (oposição) de adotar uma “abordagem seletiva”, buscando apenas dados que se encaixem na “narrativa de retrocesso” para “manipular e enganar” o povo cabo-verdiano.

Em conferência de imprensa para reagir às declarações do PAICV, segundo as quais Cabo Verde perdeu 32 mil postos de trabalho de 2016 a 2022, Luís Carlos Silva classificou “a aritmética do PAICV de precária”, salientando que o partido “confunde conceitos, mistura contextos e conjunturas, partindo sempre de um resultado negativo”.

O porta-voz do partido que sustenta o Governo reconheceu, entretanto, que houve de facto a perda de quase 30 mil postos de trabalho, mas sublinhou que a análise exige uma separação de conjunturas entre o período normal e o período de crise.

“O importante não é só analisar os dados isoladamente. É preciso termos consciência de qual é a evolução que o País está a fazer. De 2016 a 2018 houve queda no número dos postos de trabalho, situação que já vinha de 2014/2015. Depois o país começou a recuperar os postos de trabalho terminando em 2019 com o número de postos de trabalho superior a 2016”, declarou o político.

Entretanto, com a crise, reconheceu que houve um “impacto devastador” que destruiu mais de 20 mil postos de trabalho e aumentou a pobreza.

Contudo, indicou que de 2021 a 2022 Cabo Verde retomou a rota de crescimento económico e da criação dos postos de trabalho.

“Em 2016 o país tinha 203.775 postos   de trabalho e em 2019 o país já tinha 206.344 postos de trabalho. Depois de termos entrado numa deriva de distribuição de postos de trabalho em 2022 já tínhamos em 199.216 postos de trabalho, entretanto inferior a 2017”, precisou.

Luís Carlos Silva nega a tese de que o crescimento económico não esteja a ter impacto na redução de empregos, frisando que a quantidade de empregos criados em 2019 e em 2022 é resultado da “excelente performance” económica que o país fez.

“Nos últimos dois anos nós temos uma média de crescimento de 12% o que está acima daquilo que é necessário para impactar verdadeiramente a pobreza”, sustentou.

Por outro lado, realçou que que de 2016 a 2022 há um “momento especial, um buraco no meio”, salientando que cada partido decide aquilo que quer ver.

“Se nós queremos olhar para a crise temos uma recessão de 14 %, o país caiu e nós estamos no processo de recuperação e os dois anos que podemos considerar de normalidade (2021 e 2022), o crescimento do país foi 7 % em 2021 e 17 % em 2022, somamos esses dois anos e dá um crescimento médio de 12 %”, disse reagindo a afirmação do deputado do PAICV, Julião Varela, segundo a qual o crescimento real do país nos últimos três anos foi de apenas 1 % do PIB.

Luís Carlos Silva reconheceu que a pandemia e guerra na Ucrânia tiveram “efeito devastador, destruindo postos de trabalho e aumentando a pobreza”.

Contudo, indicou que para enfrentar esse impacto foi desenhado e implementado o maior Estado social da história cabo-verdiana com políticas concretas e abrangentes para proteger os mais vulneráveis, apoiar trabalhadores e estimular o crescimento económico.

“O PAICV parece ignorar todas essas medidas e prefere distorcer a realidade. Escolheu adotar uma abordagem seletiva, buscando apenas dados que se encaixem na sua narrativa de retrocesso. Isso é uma clara manipulação e tentativa de enganar o povo cabo-verdiano”, acusou o secretário geral do partido que sustenta o Governo.

Inforpress

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