MpD acusa “sucessivos governos centrais” de desaproveitar potencialidades do município de Mosteiros

O líder da bancada do Movimento para a Democracia (MpD, oposição), Carlos Lopes, considerou que “os sucessivos governos centrais não souberam aproveitar e consolidar as potencialidades” do município de Mosteiros.

Ao intervir na sessão solene da Assembleia Municipal de Mosteiros, Carlos Lopes avançou que “muitos não vão ficar satisfeitos”, mas que “é necessário dizer a verdade e colocar o partido de lado”.

Tal posicionamento, como afirmou, não significa que não tenham feito nada, acrescentando que com o aproveitamento poderão surgir dezenas ou centenas de infraestruturas.

O eleito municipal do MpD disse ter acompanhado as intervenções na inauguração do Estádio Alirio Lopes de Pina, mas que não gostou da parte em que o presidente da câmara afirmou que “o Governo não apoiou na edificação da infraestrutura desportiva”.

“Tratando-se de uma obra municipal, o Governo não é obrigado a financiá-la. No entanto, o Governo estava disponível em apoiar” afirmou Carlos Lopes, sublinhando que se tal não aconteceu é porque a negociação posterior não teve sucesso.

No dizer do mesmo, “o Governo tem agido bem” com o município, as transferências anuais que antes eram de no máximo 97 mil contos, de acordo com dados do Ministério das Finanças, desde 2017 oscilam entre 120 a 150 mil contos.

Este pediu ao secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, Lourenço Lopes, que representa o Governo nas festas do Dia do Município de Mosteiros, para, através de uma parceria Governo/câmara de Mosteiros, executar obras importantes como a conclusão do anel rodoviário, reabilitação do aeródromo dos Mosteiros, ligação Mosteiros a Chã das Caldeiras, via Achada Mauricio, construção de um cais de pesca e, quiçá, de um porto alternativo.

Durante a sua intervenção destacou as potencialidades existentes em vários domínios, desde turismo, agricultura, passando pela cultura e emigração.

Em reação, o presidente da câmara de Mosteiros, Fábio Vieira, disse que a sessão solene não era para debater “o estado da arte” do município, mas para homenagem ao antigo presidente da autarquia mosteirense, mas que uma reflexão profunda evidencie os ganhos de percurso em todas as vertentes da vida deste município, desde educação, infraestrutura, saúde, saneamento, desporto e cultura, pese embora, sustentou, tenha a “plena consciência” dos desafios futuros.

Fábio Vieira defendeu a adoção de uma nova agenda e paradigma de governação, lembrando que a responsabilidade de desenvolvimento não é exclusiva dos órgãos eleitos, seja ele local ou central, mas todos e cada cidadão têm “responsabilidade enorme” de contribuir para a construção de um País “inclusivo, próspero, seguro e com oportunidades para todos”.

Para o autarca, o Governo é um “parceiro natural” dos municípios e, independentemente das diferenças, deve criar um quadro favorável para mitigar os efeitos nefastos, para que as pessoas vivam melhor.

Sublinhou que entre os dois níveis de poderes a relação deve ser de “cordialidade e complementaridade”, prometendo fazer tudo, enquanto presidente da câmara, para manter uma relação diplomática com o Governo para mobilizar parcerias e criar condições para o desenvolvimento sustentável de Mosteiros.

Quanto aos recursos recebidos, Fábio Vieira avançou que nos últimos três anos o município tem contado com menos recursos para implementar o seu desenvolvimento e que anualmente recebe do Fundo Financeiro Municipal 103 mil contos anuais de recursos consignados para financiar o desenvolvimento.

Inforpress

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