Novo presidente do IILP quer Estados-membros mais fortes e ativos na promoção da língua portuguesa

O novo presidente do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP) disse hoje que espera mobilizar os Estados-membros para uma participação mais forte e ativa para a promoção do interesse comum na utilização da língua portuguesa.

João Laurentino Neves, que falava aos jornalistas à saída de um encontro com o Presidente da Assembleia Nacional para a apresentação dos cumprimentos e discussão das formas de parceria entre as duas instituições, sustentou que também na matéria das línguas a competição é grande para uma afirmação internacional.

“Sabemos que o inglês tem uma preponderância muito grande em todas as áreas de atividade, mas que a língua portuguesa é também hoje reconhecida internacionalmente como uma língua estratégica. Isto decorre do poder que cada um dos nossos países têm de um ponto de vista regional, mas também de um ponto de vista internacional”, argumentou.

João Laurentino Neves salientou que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é uma organização fortíssima e ímpar, pelo que considera que a língua portuguesa como língua de comunicação internacional tem um caminho a fazer.

“Temos também um trabalho para que ela na ciência, na internet, na comunicação internacional e na aprendizagem e introdução em universidades estrangeiras possa cada vez mais ter uma presença mais activa e também nas rotas do comércio, da diplomacia”, disse

Neste sentido disse que o IILP e os Estados-membros têm de encontrar ideias para criar valor em cada uma dessas áreas e fazer com que a língua portuguesa seja cada vez mais uma língua reconhecida internacionalmente e que a mesma possa ser utilizada sem a necessidade de recorrer às outras.

João Laurentino Neves, que assumiu as funções em Janeiro para um mandato de dois anos, disse que está a reunir-se com os representantes diplomáticos e também com as autoridades de Cabo Verde, que acolhe a sede do Instituto, com vista a elaborar uma agenda e um plano estratégico, que elenque os eixos internacionais e as medidas para os próximos dois anos.

A ideia, conforme indicou, é de que sejam ideias e projetos exequíveis e acrescente valor àquilo que é missão do IILP.

“É importante termos projetos não só projetos de iniciativas do IILP, mas projetos que decorram de parcerias com as comissões nacionais do IILP que cada Estado-membro tem, mas também com agentes e atores como o parlamento cabo-verdiano que são atores importantes naquilo que é a utilização e a difusão da língua portuguesa nos respetivos países e que para nós são parceiros de eleição”, disse.

Para já, do encontro com o Presidente da Assembleia Nacional, Austelino Correia, disse ter encontrado abertura para um trabalho conjunto na área de terminologia própria da atividade parlamentar, no sentido de se ter um documento de referência que qualquer pessoa, de um jornalista a um parlamentar possa ter ali um apoio e uma área de referência.

“Hoje em dia um dos grandes desafios para a língua portuguesa é a questão das terminologias técnicas científicas, ou seja, todas as áreas de atividades que nós desenvolvemos e nas quais utilizamos a língua portuguesa que é a nossa língua”, disse, colocando-se à disposição do parlamento para criar uma base de dados e glossários específicos.

“O Parlamento trabalha com intervenções, com a língua e o entendimento que todos temos de ter dos assuntos que discutimos é maior se a terminologia que utilizamos for consensual, essa foi precisamente uma das áreas que identificamos de possível cooperação com a Assembleia”, acrescentou.

Inforpress

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