PAICV denuncia “falta de vontade política” do Governo para resolver problemas da ilha do Fogo

A Comissão Política Regional do PAICV (oposição) denunciou hoje a “falta de vontade política” do Governo para resolver os problemas da ilha do Fogo e a existência de “interesse inconfesso” para mantê-la de “pés e mãos amarrados”.

Em conferência de imprensa, o presidente da CPR do PAICV, Luís Nunes, manifestou a “indignação e preocupação” do maior partido da oposição pela forma como a ilha tem sido tratada, sublinhando que as muitas promessas das campanhas eleitorais nenhuma ainda saiu do papel.

“Os grandes projetos para a ilha do Fogo deixaram de constar da agenda do Governo e não fazem parte do orçamento do Estado”, advogou Luís Nunes, apontando como exemplos a questão do porto de maior calado, aeroporto internacional, circular do Fogo, sublinhando que os transportes, aéreo e marítimo, “é crítica” e com ligação irregular imprevisível com prejuízo para a ilha.

Para a CPR do PAICV, a ilha clama por um porto de maior calado que “é fundamental” para um desenvolvimento económico sustentável e o cais de pesca necessita ver resolvido o problema de assoreamento.

Com relação ao programa de apoio aos municípios para geração de emprego público e empoderamento das famílias, o PAICV congratula-se com a medida, mas estranha os critérios utilizados para a sua distribuição, justificado pelo facto de a ilha Brava ter o mesmo montante que São Filipe e Mosteiros quando a sua população é menos de um quarto e metade respetivamente.

Outro exemplo apontado é o de Porto Novo que tem menos população que São Filipe, mas que vai receber mais de 18 mil contos, quase o dobro da ilha do Fogo que receberá 10.500 contos, observado que além do critério utilizado o Governo devia levar em consideração as taxas de desemprego e de pobreza e o número da população de cada município.

“Apelamos ao governo que cumpra as suas obrigações com os municípios de São Filipe e Mosteiros e transfira os montantes em dívida para que possam concluir os projetos”, advogou o presidente da CPR do PAICV, observando que no quadro dos contratos-programa do ciclo 2017/20 do Fundo do Ambiente e do Fundo de Sustentabilidade do Turismo, Mosteiros aguarda a transferência de 30 mil contos e São Filipe mais de 20 mil contos.

Para São Filipe, de entre os contratos-programa assinados e que não foram transferidas as verbas, Luís Nunes apontou a requalificação urbana das vilas de Patim (sul) e Ponta Verde (norte) no valor de oito mil contos, a construção de matadouro municipal no valor de seis mil contos, a construção de casas de banho no valor de cinco mil contos, indicando que do programa de mitigação do mau ano agrícola, do valor de 4.900 contos, apenas foram transferidos pouco mais de 900 contos.

Para o maior partido de oposição, as câmaras afetas ao PAICV têm sido discriminadas e tratadas como “filhos de fora”, apontando como exemplo da “estratégia do governo de sufocar e descriminar as câmaras de cor política diferente” e a recente visita do ministro da Saúde à região Fogo/Brava, que excluiu informação da visita às duas câmaras do PAICV.

Por outro lado, a CPR do PAICV e tendo em conta a época da chuva, apelou ao Governo a implementar algumas medidas complementares para apoiar os agricultores com distribuição de sementes e outros materiais necessários, subsidiar e reforçar o fornecimento de água aos criadores da ilha e o reforçar o programa de salvamento de gado.

Inforpress

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