PAICV diz que vai questionar Governo sobre “famigerado” contrato com Icelandair

O líder do grupo parlamentar do PAICV (oposição) disse hoje que vai questionar o Governo sobre o “famigerado” contrato assinado com a Icelandair, para permitir que o ‘boeing’ regressasse ao país nas vésperas das eleições legislativas.

Segundo João Baptista Pereira, que falava à imprensa no final das jornadas parlamentares do grupo parlamentar (GP) do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), o referido aparelho veio ao País “para enganar os cabo-verdianos nas eleições” e que depois acabaram por conhecer o contrato em inglês, o qual “já motivou reacções de várias entidades, nomeadamente do próprio Presidente da República que considerou que o razoável é apresentar ao Parlamento um contrato em português, de igual teor e valor”.

“Este contrato trouxe vários elementos que teremos de questionar o senhor ministro [do Turismo e Transportes] para podermos perceber e perguntar ao Governo porque é que optou pela nacionalização dos 51% (por cento) do capital social da empresa que pertence a Loftleidir, quando, de acordo com o contrato assinado, o parceiro tinha até 31 de Julho de 2021 para cumprir o contrato”, indicou o líder do GP do PAICV.

Segundo ele, o Estado de Cabo Verde comprometeu-se a comprar os 51% do capital da Icelandair por 50 mil contos.

“Parece-nos estranho que o Governo tivesse optado pela via que optou”, sublinhou João Baptista Pereira, para quem há um conjunto de dívidas que vão ser transferidas para a NewCo, empresa criada para “gerir os passivos dos TACV e permitir que a empresa pudesse ser privatizada sem passivos”.

“Hoje, afinal, temos ainda muito mais passivo e a reverter-se como dívida pública que os cabo-verdianos vão pagar”, lamentou o dirigente político da oposição.

A Loftleidir, revelou João Baptista Pereira, já veio a púbico esclarecer que o contrato assinado com Governo de Cabo Verde tem uma cláusula de confidencialidade, que a impede de revelar todos os meandros do negócio feito.

“Os cabo-verdianos querer saber de que meandros se trata”, realçou o líder do GP do PAICV, que afirmou que o governante que vai ser interpelado no Parlamento terá a oportunidade de explicar os contornos que envolveram a privatização da Cabo Verde Airlines.

Os deputados do partido da estrela negra pediram igualmente um debate com o ministro da Educação para discutirem o arranque do ano lectivo 2021/2022.

A problemática dos manuais escolares, o funcionamento dos agrupamentos escolares e as dificuldades que têm trazido às famílias, de acordo com João Baptista Pereira, figuram entre os assuntos a serem debatidos com Amadeu Cruz.

“Queremos debater a questão da qualidade do ensino, porque parece que este Governo, decididamente, opta pela via de massificação em detrimento da qualidade”, notou o porta-voz do GP do PAICV, acrescentando que dados constantes do relatório apresentado pelo executivo tem indicadores que são “extremamente preocupantes” para o País.

Os parlamentares tambarina desejam igualmente debater outras questões, como a falta de resolução de um conjunto de pendências que afectam os professores e que vêm desde 2016.

“Hoje, há uma clara e acentuada partidarização das estruturas de educação. As transferências dos professores são feitas com base em critérios político-partidários”, assegurou João Baptista Pereira.

O ministro da Indústria e Energia vai ser também interpelado pelos deputados, a propósito do “aumento brutal” do custo da electricidade em Cabo Verde e vai “penalizar todas as famílias cabo-verdianas”.

Para João Baptista Pereira, há uma tendência de redução do preço dos combustíveis no mercado internacional, pelo que não se justifica o referido aumento da electricidade no País.  

Inforpress

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