Parlamento: MpD aponta avanços no sector do turismo enquanto PAICV contrapõe com a “precariedade laboral” nos hotéis

O MpD (poder) regozijou-se hoje, no parlamento, com os avanços que Cabo Verde tem tido no sector do turismo, mas o PAICV (oposição) contrapôs-se destacando a “precariedade laboral” que se assiste atualmente nos estabelecimentos hoteleiros na ilha do Sal.

As posições dos partidos foram defendidas hoje no parlamento, na sequência de uma declaração política sobre a situação turística no país, apresentada pelo Movimento para a Democracia (MpD – poder).

“É com grande satisfação e orgulho que solicitamos esta declaração política para celebrar e reconhecer os notáveis avanços no sector do turismo em Cabo Verde. Os dados recentemente publicados pelo INE refletem não apenas números, mas um testemunho claro da determinação e visão do Governo liderado pelo ilustre Ulisses Correia e Silva, com o apoio incansável da bancada do MpD”, declarou o deputado Aniceto Barbosa.

Os indicadores apresentados pelo INE, prosseguiu, deixaram evidente que as políticas implementadas pelo Governo têm sido “fundamentais” para o florescimento do turismo em Cabo Verde.

“De Janeiro a Setembro de 2023, acolhemos 663 mil turistas, representando um aumento significativo de 20% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa ascensão não é apenas um número, mas uma prova tangível do compromisso em superar os desafios pós-covid-19, garantindo a segurança sanitária e estimulando a procura internacional”, indicou Aniceto Barbosa.

Conforme o deputado do MpD, os mercados internacionais, liderados pelo Reino Unido, Portugal, Alemanha, Bélgica, Holanda e França continuam a ser parceiros robustos e a diversificação para novos mercados, como Espanha, no Verão, destaca a eficácia das iniciativas de promoção levadas a cabo pelo Governo.

“Este é um testemunho claro da visão estratégica para diversificar e descentralizar a procura e reduzir a concentração em apenas duas ilhas. Muitas das iniciativas e projetos de requalificação urbana financiados pelo Fundo do Turismo, de Santo Antão a Brava, a partir de 2016, começam a dar os seus frutos”, vincou o parlamentar.

Regozijou-se também com o facto de este crescimento no turismo ter impacto positivo em sectores correlatos, tendo destacado o aumento e diversificação da produção agrícola e agropecuário, o surgimento de novas unidades hoteleiras detidas por cabo-verdianos em diversas ilhas e o aumento de passageiros de cruzeiros de visita a Cabo Verde.

“A meta ambiciosa de alcançar um milhão de turistas está cada vez mais próxima, e é com convicção que afirmamos que o país não pode parar”, reiterou Aniceto Barbosa.

Em resposta, o deputado do PAICV Démis Almeida disse que os ganhos que Cabo Verde presencia neste momento no sector do turismo decorrem de “investimentos estruturantes” que foram feitos pelos governos do PAICV, tendo destacado as infraestruturas aeroportuárias, portuárias, rodoviárias e os acordos de investimentos que originaram em grandes hotéis, resorts, que vêm aumentando significativamente a capacidade de alojamento.

“Este Governo não fez um único investimento estrutural no sector do turismo e na diversificação do turismo. Mas vejamos qual é a precariedade laboral que nós temos neste momento no sector turístico e o que é que Governo está a fazer, designadamente ao nível de inspeção de trabalho para combater contrato de trabalhos precários, para combater a não transferência das contribuições para o INPS, com pagamento manifestamente em atraso de salários que coloca os trabalhadores do sector numa situação de alta debilidade”, retorquiu.

“Mas sabem, tem um governo em que o ministro dos Transportes é o maior sabotador do ministro do Turismo sendo que são mesmíssimas pessoas”, disse Démis Almeida, anotando que os operadores turísticos afirmam que o país só não atinge a fasquia de um milhão de turistas precisamente por causa dos transportes, porque a conectividade interna é “insuficiente e é caríssima e imprevisível”.

O deputado também falou da “precariedade” da saúde e das estradas e das habitações na ilha do Sal, reiterando que não há ganhos e que o sector que se encontra abandonado, e que só sobrevive dos esforços dos operadores turísticos.

Por seu lado, o deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) João dos Santos Luís lembrou que o arquipélago tem as melhores potencialidades para ter um desenvolvimento “elevado” no sector do turismo, que o Governo está trabalhar para isso, no entanto, vincou, tem-se assistido “muita propaganda e muito pouca ação”.

“Há milhares de turistas que chegam nas ilhas da Boa Vista e do Sal que não conseguem deslocar-se para as restantes ilhas por causa do problema de transportes. A conectividade é importante no sector do turismo (…)”, mencionou o também presidente da UCID, sublinhando que o país não tem exigido contrapartidas adequadas nos investimentos turísticos.

“Temos ainda as contrapartidas que ainda não são as melhores, o país não tem exigido contrapartidas adequadas nos investimentos turísticos. O sector não se desenvolve mais porque o governo tem descuidado dos aspectos mais importantes”, afirmou.

Inforpress

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