Parlamento: PAICV reitera que situação dos transportes aéreos interilhas continua mergulhada em completo “caos”

O Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) salientou hoje que a situação dos transportes aéreos interilhas continua a ser um completo “caos” por estarem asseguradas por duas aeronaves com avultados custo para população decorrente do seu aluguer.

Durante o primeiro debate parlamentar do mês de Maio, que decorre até sexta-feira, 24, com o ministro do Turismo e Transportes, Carlos Santos, a pedido do PAICV, o deputado nacional Démis Lobo considerou que o transporte aéreo interilhas tem sido assegurado por duas aeronaves com “enormes custos” por hora de aluguel, manutenção mecânica e pilotos e assistentes de bordo estrangeiros.

Custos acrescidos, continuou, com a quantia de abastecimento dos combustíveis, taxa aeroportuária, serviços de handling e reservas que estão a ser pagos pelos cabo-verdianos, além, sublinhou, dos cancelamentos, atrasos e retenção dos passageiros nas ilhas.

“Estamos a pagar a preço de ouro por um serviço de má qualidade que não serve os cabo-verdianos e esperamos, o Sr. ministro, que neste debate mostre respeito por este parlamento diante do qual o Governo é responsável e diga aos cabo-verdianos e deputados qual o custo destes contratos” advertir, pedindo ao Governo que esclareça até quando este “contrato dispendioso” irá vigorar.

Como é evidente, disse Démis Lobo, a população já não acredita nas soluções apresentadas por um Governo que tem contribuído para agravar o problema dos transportes aéreos interilhas e internacionais.

Segundo o deputado, o próprio primeiro-ministro durante o balanço dos três anos de mandato, admitiu que as medidas tomadas até agora no sector estão erradas, assumindo o Estado como responsável pelos problemas dos transportes.

Conforme avançou, o Governo elegeu como “bala de prata” a criação de uma nova empresa independente dos TACV de 100% capital público, gerido pelos cabo-verdianos, entretanto além de ser uma recomendação de um estudo realizado em 2016 “engavetada”, não traz novidade para o sector.

Para o PAICV, o Governo “nunca conseguiu” concretizar o que foi prometido como o aumento das frotas de aeronaves para o transporte interilhas, celebração de um contrato de concessão mediante concurso e pagamento compensatório de custos operacionais.

“O ministro do Turismo afirmou que a empresa está operacional até o verão, declarou que até o final do presente ano civil o sector dos transportes aéreos estará estabilizado, mas para além destas declarações redondas, não existe nada de palpável e não explica o que vai fazer de concreto ou os prazos” disse, afirmando que desconhece o cenário em matéria de sustentabilidade, bem como, do que está a ser feito para ter um certificado e licença de exploração aéreo.

“O Governo através dos seus 30% do capital social vai garantir o pagamento dos salários dos trabalhadores, das suas férias vencidas e não gozadas e das compensações pelo fim do contrato de trabalho ou das indemnizações?”, questionou, apelando à tomada de medidas concretas e reposição de centenas de contos dos bilhetes às agências de viagens.

Inforpress

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