Presidente da Plataforma das ONG identifica “segmentação de base partidária” como “doença” do país

O presidente da Plataforma das ONG classificou hoje, no Mindelo, a “segmentação de base partidária” como “uma das doenças que afetam o país” de uma “forma terrível”, dificultando aproveitar “todas capacidades, valências e contributos” para o bem comum.

Jacinto Santos, que lidera a Plataforma das Organizações não Governamentais (ONG), discursava na abertura da “Jornada para o Desenvolvimento Sustentável”, que objetiva analisar, em dois dias, o papel e a contribuição do sector privado e da sociedade civil no desenvolvimento de Cabo Verde e na aceleração dos ODS, com especial enfoque em debelar a pobreza e, sobretudo, erradicar a pobreza extrema.

Santos considerou, por isso, a iniciativa de “boa” e disse esperar que a mesma entre nos procedimentos de como deve funcionar o País, num contexto em que, conhecidas as vulnerabilidades, “não tem condições de caminhar sozinho” e precisa da cooperação de todos, e, fundamentalmente, dentro do País, ultrapassar a “segmentação de base partidária”.

Nesta linha, pediu a concertação e articulação a todos os níveis, envolvendo todos os actores, a nível sectorial e territorial, porque o que falta em Cabo Verde, sintetizou, é uma coordenação/articulação sistemática, capaz de permitir que todos tenham protagonismo dentro de “um quadro claro”, e dar o seu contributo e acrescentar valor, não só económico, como social e cultural.

“O objetivo desta jornada vai no sentido de pôr em diálogo o sector público, o privado, as organizações da sociedade civil e as organizações internacionais, estas que se tornaram num actor fundamental no processo de desenvolvimento global”, acrescentou a mesma fonte, para quem o fórum já tem um contributo para eliminar “alguma barreira e preconceito” e uma “divisão artificial entre público e privado, o lucro e o não lucro”.

“Todas estas atividades podem interagir-se”, notou, pois, continuou, é na lógica de concertação multi-atores, com cada um a fazer o seu papel, que se vai criar o produto coletivo, que é “o bem comum e o desenvolvimento de Cabo Verde”.

Por seu lado, Steve Ursino, em nome do PNUD, considerou que é possível erradicar a pobreza extrema em Cabo Verde, desde que assumida como “uma obrigação moral de todos”, neste contexto que designou de “crises múltiplas mundiais”.

“Falta unidade de ação”, declarou, acrescentando que o PNUD está empenhado em continuar a promover o desenvolvimento, propondo abordagens inovadoras, que envolvam todos os actores de desenvolvimento, entre elas a sociedade civil organizada, o sector privado, os jovens e as mulheres.

A pretensão, indicou, é a sedimentação do “contrato social forte”, para a construção de uma sociedade solidária e próspera, já que a resolução de problemas sociais da população exige “parcerias corporativas e intersectoriais” para a realização dos ODS e “uma forte parceria” entre o sector privado e a sociedade civil, numa base de confiança.

A “Jornada para o Desenvolvimento Sustentável” é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em parceria com a Plataforma das ONG, a Pro-Empresa e as câmaras de comércio, e inclui a realização de dois fóruns, designadamente, “Parcerias do sector privado e contribuições para a aceleração dos ODS” e “Sociedade Civil: adaptar para melhor servir no pós-covid-19: por um associativismo sustentável”.

Inforpress

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