Presidente da República pede “mudanças radicais” após relatório sobre governança

José Maria Neves pediu ontem, dia 28, “mudanças profundas e radicais” no país após um inquérito sobre a governança, em que os cabo-verdianos sentem cada vez menos que os políticos respondem às suas necessidades e mostram preocupação sobre a corrupção.

José Maria Neves disse que “todos os políticos” cabo-verdianos “devem prestar atenção” ao terceiro inquérito sobre Governança, Paz e Segurança, referente a 2023, publicado na semana passada pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“As lideranças políticas, os governantes, os altos funcionários públicos devem analisar com cuidado qual é o entendimento que os cabo-verdianos têm sobre o funcionamento das instituições e sobre a formulação de políticas públicas e agir no sentido de introduzir melhorias”, reagiu o chefe de Estado, em conferência de imprensa, na cidade da Praia.

Uma das conclusões do inquérito é que o número de cabo-verdianos preocupados com a corrupção diminuiu, mas ainda representa a maioria da população (65,4%).

Nesta questão, Neves pediu “transparência, prestação de contas e responsabilidade”.

O documento referiu ainda que cada vez menos cabo-verdianos (só 14,2%) têm a perceção de que os políticos respondem às suas preocupações e necessidades, com o mais alto magistrado da Nação cabo-verdiana a considerar que esta questão exige “mudanças radicais e profundas” nalguns domínios.

“Tenho insistido que não podemos continuar a fazer mais do mesmo, temos de realizar mudanças” a nível institucional e no processo de decisão e de execução das políticas públicas “para estarmos adequados às demandas e às exigências”, pediu.

José Maria Neves disse que os dados requerem também uma participação cívica “muito mais ativa” no processo de formulação de políticas públicas e na exigência de prestação de contas.

O inquérito mostrou ainda que os cabo-verdianos sentem que as liberdades de imprensa e de expressão estão a ser menos respeitadas no arquipélago.

Numa reação à Lusa, o presidente da Associação de Jornalistas de Cabo Verde (Ajoc), Geremias Furtado, disse que o país “não pode ignorar” esta perceção e pediu medidas para reforçar as liberdades no país.

O inquérito baseou-se numa amostra de 4.962 agregados familiares, sendo que em cada agregado foi inquirido apenas um indivíduo com pelo menos 18 anos, cobrindo os 22 concelhos de Cabo Verde, entre outubro e dezembro de 2023.

Lusa

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